Hoje eu senti a necessidade de citar Edgar Allan Poe:

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon’s that is dreaming,
And the lamplight o’er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted – nevermore!

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Vitória: uma cidade que tem todos os recursos para evoluir, mas faz o caminho contrário

Caso algum de vocês ainda não saiba, durante um ano da minha vida (2008-2009), eu morei numa cidade chamada Wuppertal, na Alemanha. Uma cidade próxima às cidades Köln e Düsseldorf e também a cidade natal da Bayer.

Durante esse período, tive que me adaptar a uma quantidade de leis e costumes não vigentes por aqui. Exemplos foram o hábito de obedecer aos limites de velocidade (50km/h em avenidas e 30km/h dentro dos bairros), obedecer às sinalizações de proibido/permitido estacionar – e levar multas por isso – e também o costume de separar o lixo.

Eu costumo explicar a todos que me perguntam: o lixo deveria ser armazenado em casa, a prefeitura disponibilizava tonéis para armazenar alguns tipos (tampa cinza para orgânicos, tampa amarela para embalagens e tampa azul para papéis) e alguns outros tipos deveriam ser armazenados e destinados pelo próprio cidadão. Digo, vidro e cartão deveriam ser levados aos postos dentro do seu bairro e ali descartados. Além disso, cobrava-se pelos sacos plásticos em supermercados.

Quer dizer, era nessa parte da discussão à qual eu queria chegar. Eu me habituei a ter sempre na bolsa uma sacola de pano, na qual podia carregar minhas compras pequenas de supermercado ou de padaria. Além disso, era comum o uso de caixas dobráveis para carregar compras mais pesadas – como eram dobráveis, podiam ficar guardadas no carro sem ocupar espaço. Existiam também cestas estruturadas, como as de pique-nique, e sacolas estruturadas, como as que são encontradas, hoje em dia, à venda nos supermercados daqui.

Confesso que, num primeiro momento, achei muito estranho ter de levar minha própria sacola. No entanto, ao fim de um ano, eu aprendi que separar e armazenar o lixo é a coisa mais simples do mundo e que carregar a minha própria sacola de compras não faz mal a nenhum ser humano no planeta.

O motivo de escrever esse texto é bem simples: eu me incomodo toda vez que vejo alguém reclamar que recebeu multa – que bom que a polícia está a multar, significa que está finalmente fazendo parte do seu trabalho; eu me irrito quando leio matérias desse tipo, pois não entendo o que há de abusivo em cobrar pelos sacos plásticos e muito menos porque cuidar do meio ambiente tem que ser algo ruim.

Apenas um adendo: Prefeitura Municipal de Vitória, faça-nos o favor de implantar a coleta seletiva de maneira decente em nossa cidade. Tenho certeza de que outros cidadãos e de que o meio ambiente irão nos agradecer.

sobre meninos e… homens

Sim, eu sou infantil. Sim, já me disseram isso antes. Se tenho vergonha disso? Às vezes sim, às vezes não.

Eu acho que as pessoas deveriam entender quando você pode ser infantil e quando isso é proibido. Existem situações na vida em que esperamos atitudes de homem – e isso vale para as mulheres também. Eu explico – ou tento.

Quando você está se divertindo com seus amigos, você pode – e deve – ser bobo. Coloque a criança que existe em você para fora e ria do seu amigo que coloca a batata frita no nariz, ou da sua amiga que sopra a camisinha do canudo na sua cara e, ainda, se quiser, pode dar tapas nas testas dos seus amigos assim que eles arrotarem e não puserem a mão na testa. Muito normal. Isso independe da idade, sinceramente. A diferença é que depois dos 16, quando jogamos Imagem & Ação, já estamos devidamente alcoolizados.

No entanto, quando a sua namorada te liga num domingo às 23h avisando que bateram no carro dela, você para imediatamente tudo o que está fazendo e vai ao encontro dela – isso é uma atitude de homem. Ou quando você percebe que vai perder o controle, você deve parar e ir embora. Afinal, eu nunca me descontrolei sem saber antes que estava prestes a fazê-lo. Isso também é atitude de homem.

Existem várias atitudes de moleque – ou de menino, como prometer e não cumprir. Ignorar em vez de simplesmente falar. Fingir não dar importância, quando, na verdade, o buraco é bem mais embaixo e isso importa sim. É atitude de menino não ouvir com atenção o que as pessoas têm a dizer. É infantil jogar simplesmente pelo ato de jogar – e não porque você pretende algo com isso. É estúpido e imbecil magoar pessoas pela força do hábito. E se você não tem 60 anos, por favor, não aja como tal – a menos que isso signifique ser homem em alguma das situações supracitadas.

Há algum tempo eu aceitei que a diferença entre os rapazes de 13 e de 27 anos é que os de 27 já possuem, via de regra, capacidade para viver uma vida independente dos pais, avós e/ou qualquer outra pessoa que os sustente. Isso quase nunca me incomoda, exceto quando o ato infantil me afeta de forma direta.

Esse post é dedicado especialmente para o cidadão que não me escutou ontem e para o cidadão que está me ignorando há alguns dias. Sejam homens, conversem comigo e me expliquem o que se passa. É deselegante deixar alguém sem resposta/amparo.

pode isso?

Há algum tempo esse pensamento já havia me ocorrido e desde que fiz o Enem eu pensava em postar algo a respeito. Quando eu fiz ensino médio, há 10 anos, eu e meus amigos sonhávamos com universidades federais e cursos que nos trouxessem a possibilidade de ter um bom emprego. Sim, eu sei, eu fiz letras e fugi à regra, mas isso também não estava nos meus planos.

No início deste ano, eu ingressei no curso de Engenharia Civil da Faesa, uma faculdade particular aqui de Vitória. Logo no início do curso, fiquei próxima de uma menina de 17 anos. Um certo dia a perguntei se ela não iria prestar vestibular para a Ufes no fim do ano. “Você ainda é nova”, eu disse. E a resposta que obtive foi: “Não quero fazer Ufes. A Ufes nunca me encheu os olhos. Nunca tive vontade de estudar lá”. Não tive a capacidade de prolongar a conversa. Devo ter feito a cara mais ‘então tá’ da minha vida.

Há algumas semanas, eu fiz o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. Na época em que prestei vestibular, o Enem apenas servia para aumentar décimos nas nossas notas do VestUfes; hoje em dia, ele corresponde à primeira etapa dos exames vestibulares. Bom, minutos antes do início da prova do segundo dia, me pus a conversar com um dos fiscais e algumas pessoas que estavam também prestando o tal exame. E foi aí que um menino disse que cogitou a possibilidade de não comparecer ao segundo dia de provas. Perguntei: “Ué?! Foi tão mal assim ontem?”. E a resposta foi: “É que eu já faço direito na Estácio e não vejo necessidade de estudar na Ufes”.

Quando foi que estudar em universidade federal deixou de ser importante? Eu estava em coma e ninguém me contou?