Vitória: uma cidade que tem todos os recursos para evoluir, mas faz o caminho contrário

Caso algum de vocês ainda não saiba, durante um ano da minha vida (2008-2009), eu morei numa cidade chamada Wuppertal, na Alemanha. Uma cidade próxima às cidades Köln e Düsseldorf e também a cidade natal da Bayer.

Durante esse período, tive que me adaptar a uma quantidade de leis e costumes não vigentes por aqui. Exemplos foram o hábito de obedecer aos limites de velocidade (50km/h em avenidas e 30km/h dentro dos bairros), obedecer às sinalizações de proibido/permitido estacionar – e levar multas por isso – e também o costume de separar o lixo.

Eu costumo explicar a todos que me perguntam: o lixo deveria ser armazenado em casa, a prefeitura disponibilizava tonéis para armazenar alguns tipos (tampa cinza para orgânicos, tampa amarela para embalagens e tampa azul para papéis) e alguns outros tipos deveriam ser armazenados e destinados pelo próprio cidadão. Digo, vidro e cartão deveriam ser levados aos postos dentro do seu bairro e ali descartados. Além disso, cobrava-se pelos sacos plásticos em supermercados.

Quer dizer, era nessa parte da discussão à qual eu queria chegar. Eu me habituei a ter sempre na bolsa uma sacola de pano, na qual podia carregar minhas compras pequenas de supermercado ou de padaria. Além disso, era comum o uso de caixas dobráveis para carregar compras mais pesadas – como eram dobráveis, podiam ficar guardadas no carro sem ocupar espaço. Existiam também cestas estruturadas, como as de pique-nique, e sacolas estruturadas, como as que são encontradas, hoje em dia, à venda nos supermercados daqui.

Confesso que, num primeiro momento, achei muito estranho ter de levar minha própria sacola. No entanto, ao fim de um ano, eu aprendi que separar e armazenar o lixo é a coisa mais simples do mundo e que carregar a minha própria sacola de compras não faz mal a nenhum ser humano no planeta.

O motivo de escrever esse texto é bem simples: eu me incomodo toda vez que vejo alguém reclamar que recebeu multa – que bom que a polícia está a multar, significa que está finalmente fazendo parte do seu trabalho; eu me irrito quando leio matérias desse tipo, pois não entendo o que há de abusivo em cobrar pelos sacos plásticos e muito menos porque cuidar do meio ambiente tem que ser algo ruim.

Apenas um adendo: Prefeitura Municipal de Vitória, faça-nos o favor de implantar a coleta seletiva de maneira decente em nossa cidade. Tenho certeza de que outros cidadãos e de que o meio ambiente irão nos agradecer.

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One thought on “Vitória: uma cidade que tem todos os recursos para evoluir, mas faz o caminho contrário

  1. Pois é… isso me deixa no mínimo frustada. Nós já tínhamos o hábito de carregar nossas sacolas de compras e/ou aproveitar as caixas de papelão do próprio supermercado no Brasil. A separação do lixo achava inútil uma vez que a prefeitura de Rio Preto não tem coleta de lixo seletiva. Aqui no Canadá não é diferente da Alemanha. Tivemos que aprender a separar o lixo, armazená-lo em casa e colocar no dia, horário e local certos para que sejam coletados [do contrário estamos sujeitos a levar multa]. Parece difícil à primeira vista, mas a prefeitura faz um excelente trabalho educativo, o qual tive oportunidade de coletar material e claro, vou levar para o Brasil. Separar o lixo não é nojento nem sujo, muito pelo contrário, deixa sua casa mais organizada e limpa além de ser bom para o meio ambiente. Pagar pelas sacolas não é abusivo e os supermercados embutem esse valor nos produtos que vendem. Cobrar pela sacola é educativo, reduz o desperdício e deixa o meio ambiente mais limpo. A primeira sacola plastica foi produzida na década de 1950 e até hoje ela está poluindo o meio ambiente pois sua degradação é extremamente lenta e não se sabe ao certo quanto tempo levará para decompor. As sacolas biodegradáveis também não são a melhor saída porque elas não degradam, apenas se decompõe em partes menores – você pode não ver, mas ela continua no meio ambiente e ainda correndo o risco de contaminar solos e lençóis freáticos por conta de seu tamanho reduzido e componentes químicos. Fico triste em saber que até nisso Vitória está tendo problemas para evoluir. Começo a achar que o MPES é o maior inimigo do estado, seguido pela própria ignorância da população e falta de colhões dos governantes. Estamos em tempo de dar saltos evolutivos nas questões ambientais, de pensar no futuro e no próximo e não nos atrelarmos a pensamentos mesquinhos como o custo de uma sacola de R$ 0,03. Se não quer pagar por ela, compre uma sacola de pano, você vai sentir a economia no seu bolso e todos vão sentir as melhoras no meio ambiente. A partir de pequenas atitudes como essa é que mudamos toda uma cultura, para melhor.

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