dicionário ilustrado: dor

Eu me sinto, hoje, como se eu fosse mãe – e não filha. A sensação que tenho é de que eu tenho de ser grown up, enquanto os adultos estão todos tontos andando sem rumo por aí. É como se eu fosse um salva-vidas a tentar buscar da praia alguém que se afoga e a pessoa tentasse se agarrar a pedras a fim de ir cada vez mais para o fundo – e me carregando junto.

Num episódio de 2 broke girls, é falado que uma das meninas é um balão e a outra uma pedra, que impede o balão de He de subir. Eu me deparo, atualmente, com exatamente essa situação. E a pessoa que representa o balão não quer cortar a corda. Como naqueles filmes em que as pessoas estão fazendo uma escalada e ninguém corta a corda e todos caem penhasco abaixo.

Eu cansei de ser carregada consecutivas vezes para baixo. E ainda mais para baixo. E depois de novo. Não me faz bem – me corrói devagar por dentro. O que me deixa ainda mais triste é saber que somos, nesse contexto, em nossa maioria, balões – e há apenas uma pedra. No entanto, só um balão tem a tesoura – e esse balão não quer usá-la.

Eu tentei, de várias formas, trazer olhos àquele que não quer ver – juro que tentei. Mas, agora, abdico de meu posto e jogo os adultos aos leões porque, bem é verdade, eles são adultos e sabem se cuidar sozinhos. E é assim que vai ser.

Eu poderia, sim, como todos os outros, ter fugido – todos fugiram. E eu fiquei. Fiquei porque eu gosto de cuidar daqueles que amo. Quem ama cuida. E eu cuido – para caralho. E agora vou sofrer por não cuidar, porque eu só posso cuidar de quem quer receber cuidados.

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