constatações

É engraçado o lugar que a mente alcança quando…

…depois do segundo banho, você nota ainda estar com o cheiro da outra pessoa.

…três dias depois da festa, você encontra um hematoma no braço.

… no dia seguinte à festa, você entende que, sim, você havia bebido demais – ou sua cabeça não doeria tanto.

…você sente um cheiro e automaticamente se lembra de alguém.

…é impossível conter um sorriso.

…você nota que alguém te observa, mas não tem coragem de se aproximar – e você também fica imóvel.

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apego

Há muito tempo, um amigo meu me diz que eu devo praticar o desapego. No início, eu achava a coisa mais absurda e impossível de ser feita, mas, atualmente, acho tranquilo – quase fácil.

Há pouco mais de um mês, o casal de gatos de uma amiga trouxe à vida 5 gatinhos. Como ela não tem pretensão de ser the crazy cat lady, os filhotes foram ofertados para adoção. É claro que eu queria um para mim, mas como ainda moro com a minha mãe, sabia que seria inviável – minha mãe certamente jogaria o gato do oitavo andar para testar se ele tinha mesmo 7 vidas.

Bom, minha prima quis uma fêmea e então pedi que minha amiga separasse a filhota que eu iria buscá-la. E eu busquei e me apaixonei pela bendita. É incrível. A gatinha passou uma noite comigo, e eu já fiquei apaixonada. Tão pequenina e frágil… passou a noite na minha cama, porque chorava se fosse para o chão. E hoje eu fiquei triste porque, quando cheguei em casa, ela já não estava mais aqui.

Ao meu amigo, meus agradecimentos pelas lições passadas e o pedido de ajuda pelo apego apressado ao bichinho.

preconceito

Eu trabalho, atualmente, como hostess num restaurante de cozinha asiática. Como cada cliente possui uma comanda de consumo e ninguém gosta de levantar da mesa e ir até o caixa pagar a conta, existe a possibilidade de pagar a conta com o garçom e este caminha até o caixa para dar baixa nos cartões de consumo. Até aí, tudo muito normal. Bem, como os garçons atendem, naturalmente, mais de uma mesa, esse processo é um pouco lento, então pedimos que os garçons avisem a nós, da portaria, quais clientes já pagaram a conta, para que eles não fiquem barrados na porta querendo ir embora.

Bem, contexto explicado, vamos ao que interessa! Estava eu, hoje, contando para o meu pai que, no sábado, chegou um garçom na portaria dizendo “vai sair dois casal que já pagaram a conta”. Eu, com toda a minha falta de discrição olhei com aquela cara que diz COMO? e que, na verdade, queria dizer “o que você fez com a gramática, meu filho?” e o garçom respondeu ao meu olhar com “dois casal pagaram a conta pra mim agora, libera pra eles saírem”. Eu respondi um ok e olhei para o segurança e a outra hostess com aquela cara de socorro – tirem-me daqui.

Eu estava contando a história para o meu pai porque todo mundo sabe da minha fama de grammar nazi e eu precisava externalizar o quão mal os garçons falam no lugar onde trabalho. E ele me disse “ah… mas o povo brasileiro é assim, sem cultura…”. Me senti na obrigação de interrompê-lo imediatamente. O povo brasileiro não é sem cultura, muito pelo contrário: possui culturas diversas. Ainda acrescentei que preconceituoso é ele que crê que aquele que é diferente não tem cultura. Muito me admira uma pessoa mestiça, com sangue negro, índio e branco, condenar a cultura de outro. Afinal, cansamos de estudar massacres de povos mil devido a diferenças culturais – como se uns fossem mais que outros. Agradeço à minha formação por me ter trazido bom senso e clareza de ideias.

Agora vou voltar aos equivalentes de Norton e Thévenin. Beijos.