losing my favourite game

I don’t know what you’re looking for
you haven’t found it baby, that’s for sure
You rip me up and spread me all around
in the dust of the deed of time

Sabe quando você está quieto no seu canto e aí vem uma mosca atrapalhar? Alguém além de mim lembra da música da velha que estava a fiar e veio a mosca atrapalhar? Ninguém? Não quis comparar a pessoa a uma mosca, quis apenas enfatizar que eu estava quieta, na minha, vivendo a minha vida e aí surgerepentinamente um ser vivo aleatório .

And this is not a case of lust, you see
it’s not a matter of you versus of me
It’s fine the way you want me on your own
but in the end it’s always me alone

E aí você abre aquele espacinho e fala “Você pode brincar nessa esteira, ok?”, como a minha avó costumava fazer quando eu era criança – aquela megera. Mas, no fim das contas, a gente acaba repetindo o que aconteceu conosco – mesmo que numa esfera diferente.

And I’m losing my favourite game…

É aquela velha história de alguns animais peçonhentos não serem imunes aos seus próprios venenos. É como ensinar alguém a jogar seu jogo e crirar um monstro – been there, done that.

You’re losing your mind again…

Ou aquele caso em que você já não aguenta mais esse, aquele, o meu ou o seu jogo. É só uma questão de não querer jogar…

I’m losing my baby
losing my favourite game

O chato é que a gente toma gosto pelo jogo. Ele vicia. Ou vocês acham que tem gente morrendo em dívida de jogo porque jogar é só um hobby?

I only know what I’ve been working for
another you so I could love you more
I really thought that I could take you there
but my experiment is not getting us anywhere

Aí você procura, dá chance – se esforça. Mas, na vida, se as coisas dependessem de uma pessoa só, talvez o mundo fosse mais interessante – ou mais catastrófico.

I had a vision I could turn you right
a stupid mission and a lethal fight
I should have seen it when my hope was new
my heart is black and my body is blue

E ninguém tem bola de cristal, né? Bem… se eu pudesse ver o futuro, daquela maneira bacana que as mulheres o faziam em Avalon, como se eu fosse do povo pequeno das fadas, muito estresse teria sido evitado…

And I’m losing my favourite game
you’re losing your mind again
I’m losing my favourite game
I’ve tried but you’re still the same
I’m losing my baby
you’re losing a saviour and a saint

Exageros a parte, essa música é muito bonitinha para eu deixá-la cortada ao meio. Tenho dificuldade em manifestar o estresse, então vem tudo para o blog – com todos os exageros possíveis.

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o erro da revolução

Hoje, na cidade de Vitória, houve um protesto contra a cobrança de pedágio na Terceira Ponte – que liga a Ilha de Vitória à cidade de Vila Velha, no continente. Vila Velha é cidade integrante da chamada Grande Vitória e o intercâmbio de veículos ali é elevadíssimo. Embora haja duas outras pontes, definitivamente essa é a preferida pela população.

Os protestos contra a cobrança do pedágio tiveram início há algumas semanas, ainda durante as manifestações contra a corrupção – aquelas, que não eram apenas por vinte centavos. A população capixaba, ao que me parece, elegeu a Terceira Ponte, a Rodosol e o governador Renato Casagrande como símbolos da corrupção no Espírito Santo – e agora isso aqui virou a casa da mãe Joana.

Vou explicar. Primeiro, depredaram as cabines de cobrança do pedágio. Depois disso, invadiram a Assembleia Legislativa a fim de que fosse votado projeto de lei que invalidasse a cobrança – e ficaram acampados lá. Quando o projeto de lei foi vetado – considerado inconstitucional -, a população foi à loucura e começou a quebrar ainda mais coisas. Hoje, depredaram o Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado. Enfim. Zona.

Eu confesso que não estou entendendo mais nada. Primeiro, a manifestação deveria ser pacífica. Segundo, a manifestação deveria ser contra a corrupção, e não por R$1,10 (houve redução no valor do pedágio de R$1,90 para R$0,80). E, terceiro, era para as pessoas saberem o motivo da manifestação. Eu, sinceramente, acho que as pessoas perderam o foco.

Vamos pensar um pouco: a população foi à rua depredar patrimônio público; este é mantido pelo Estado através de impostos pagos pela mesma população que o depredou; o governo terá de reparar os danos com dinheiro público, aumentando a possibilidade de desvios e fazendo crescer a corrupção. Espera. O protesto é contra a corrupção? Sim. E age de forma a incentivá-la? Sim. Então está tudo errado? Sim, está.

O que a maioria das pessoas não entende é que a História do Estado Brasileiro é tão corrupta quanto a sua população. Os nossos primeiros colonizadores eram degredados políticos ou filhinhos de mamãe que tinham algum tipo de bom relacionamento com o Rei e que tiveram o direito de colonizar – e desenvolver – algum pedaço de terra. Ok. Depois disso, vieram os escravos, que era comercializados, e não traficados, visto que era uma prática legal. E depois vieram os italianos, igualmente explorados. Pessoas exploradas tendem a se vingar do sistema explorando outras pessoas. Calma, ficou confuso. O que eu quis dizer é que, na nossa história, sempre teve um infeliz tentando ganhar em cima do outro infeliz. E as pessoas são assim até hoje.

Lutar contra a corrupção envolve tanta coisa que chega a me dar preguiça. Envolve não furar a fila, não estacionar em local proibido, não exceder o limite de velocidade… Lutar contra a corrupção envolve, basicamente, não ser corrupto. Lutar contra a corrupção… E aí? Comofas/

Eu acho linda a ideia de manifestação pacífica – todo mundo de branco, com flores brancas nas mãos. Uma visão bem romântica da coisa mesmo. Eu sou contra essa galera que perde a linha. Eu sou a favor de entregar vândalos à polícia.

Aliás, uma pausa. Gente, na época da Ditadura Militar, aquela da Revolução de 1964, a polícia partia pra cima dos manifestantes com balas de verdade – as pessoas morriam. OK? Agora vamos parar de viadagem, porque a polícia de hoje não é a mesma polícia da ditadura, ok? Ficou claro?

Continuando… eu sou a favor de uma reforma tributária. Eu quero reforma política. Mas, gente, depredar imóvel tombado pela UNESCO é demais. Entendam, vai sair do bolso de cada um. Querer romper com o sistema não precisa significar sair no prejuízo. Sei lá, como símbolo da queda do sistema antigo, vocês podem construir outra sede pro governo e… opa… mais motivo para desvio de verba… É… a coisa tá feia. Talvez eu realmente não saiba como fazer certo, mas, por favor, parem de fazer errado. Vocês estão se ferindo fisicamente e destruindo o lugar maravilhoso (sim, muito belo) onde habitam.

the move out

Bom, como toda pessoa que tem bom senso sabe, existe um momento nas vidas dos animais em que os filhotes deixam de ser filhotes e se despedem de suas mães a fim de viver sozinhos e independentes – animais solitários que são. Ok, nem todos os animais são solitários. Os Golfinhos, as baleias, os lobos… bem, esses vivem juntos. Mas os gatos, em sua maioria, vivem sozinhos. And I’m a cat person.

Infelizmente, depois de alguns conflitos conceituais com a minha querida mãe, chegamos à conclusão de que era melhor que eu me mudasse de casa. Mentira, não foi tão amistoso assim. Na verdade, nós duas sabemos muito bem que discordamos do meu modo de vida e, recentemente, tem sido difícil a convivência diária. Principalmente depois da chegada da Gata, também conhecida como Ferdinando.

Na semana passada, eu me mudei para o meu novo lar. Um apartamento humilde, aqui em Vitória mesmo, ainda afastado da noitada – grazadeus – e o qual divido com 2 amiguinhos. Na verdade, eles já moravam aqui e eu e minha gata – felina mesmo, calma – decidimos ocupar um espacinho na casa.

Graças ao Bart, eu consegui trazer quase todas as minhas coisas numa só viagem, pasmem, dentro do meu lindo João, o C3. A vantagem de ter vários amigos homens e de morar com dois deles é que eles se oferecem para fazer sua mudança (recebi algumas propostas de ajuda) e ainda carregam as suas coisas quatro andares acima num prédio em que não tem elevador. São ou não são uns amores?

Ao chegar, tive uma linda recepção dos meus roommates e uma visita do ilustríssimo Poodle, que trouxe panos de prato e, é claro, cerveja. Bom, tirando alguns pequenos imprevistos (esquecer as calcinhas na casa dos meus pais, a falta de vontade de criar um plano para organizar as roupas  num guarda-roupa diferente do antigo e ter que me livrar de algumas coisas da moradora antiga…), posso dizer que a mudança foi um sucesso. A minha amada Gata não teve o ímpeto de arranhar nada que não fosse o seu arranhador antigo e parece ter se adaptado a sua nova moradia.

A maior felicidade é ter uma cama de casal preta e lymdah e roupas de cama novas. Quem não gosta de roupas de cama novinhas? Não conheço ninguém. A próxima – e urgente – aquisição será uma escrivaninha (espero que também preta e linda ^^).

No mais, espero conquistar coisas úteis no meu Chá de Casa Nova e, mais ainda, espero que meus amigos aprendam a hora certa de trocar a toalha do banheiro e que panos de chão grafite deveriam estar no lixo há muito tempo.

cansei de ser revolucionária

Bem, essa onda de protestos que ocorrem atualmente no Brasil e que não são por apenas vinte centavos já ocorrem há tempo demais para eu me manter calada. Verdade seja dita: eu tenho preguiça de política, movimento estudantil e hipocrisia.

Para os que não sabem, eu fiz o meu ensino médio no CEFETES, que hoje se chama IFES, ou seja, no que, um dia, foi a Escola Técnica do meu estado. Dentro do CEFETES havia um grêmio um tanto quanto forte, com pessoas de movimentos de esquerda que tentavam fazer com que os alunos fossem um pouco mais politizados. Participei do grêmio, fui a passeatas… enfim, fiz parte do movimento estudantil de Vitorinha. E falo: que bosta.

A primeira questão, para mim, é que o movimento estudantil é, em plenos anos 2000, de esquerda. Gente, que preguiça de separar em direita e esquerda. A Revolução Francesa foi em 1879 e esse lance de separar em direita e esquerda já está para lá de demodé. E, para trazer o caos: eu adoro a direita. Não a direita fascista, mas a direita. Aquela do capitalismo lindo.

A segunda questão é que ninguém, no movimento estudantil, fala coisa com coisa. Eu lembro que os meninos usavam na camisa da chapa do Grêmio Rui Barbosa os dizeres “Não à Alca” – Oi? Espera um pouco: enquanto eu queria descobrir os motivos de o porteiro não me deixar entrar na escola de tênis verde ou portando meu violão ou, ainda, o motivo de termos que estar sempre uniformizados e sabermos que entravam pessoas aleatórias na escola o tempo todo apenas dizendo “Não estudo aqui”, os meus colegas de grêmio estudantil queriam discutir a Alca. Ok, eu acho que essa é, sim, uma discussão relevante, mas não o objetivo de um grêmio estudantil. Acreditem: tínhamos questões muito mais importantes para debater.

Bom, eu poderia passar o resto da vida dizendo os motivos pelos quais eu tenho preguiça do movimento estudantil de forma geral, mas não vou insistir no assunto…

Depois da minha decepção com o movimento estudantil e a elite intelectual da minha adolescência, eu decidi me desligar de conhecimentos sobre política e desenvolvimento urbano porque, sinceramente, morando no Brasil, é definitivamente muito chato discutir esse tipo de assunto. Aliás, ter conhecimento sobre os acontecimentos políticos da minha pátria mãe (se é pátria, como pode ser mãe?) é algo tão desgostoso, que depois de ter repetidas vontades de vomitar, eu decidi me abster. E fiz isso da forma que eu sabia: passei a anular meus votos em todas as eleições. Não vejo propósito em (a) votar num político que desconheço e (b) votar em gente desonesta.

E não estou nem dizendo que apenas políticos são desonestos. O povo brasileiro é desonesto – e muito. Eu já saí de um bar sem pagar a conta. Sou super desonesta. E quem rouba copo de boteco também. Assim como quem estaciona em local proibido.

No dia 20 de junho de 2013, eu participei de uma das passeatas (conhecida como “uma das manifestações”) que ocorram na minha cidade (Vitória, ES). Não sei como funciona nos outros lugares, mas aqui é uma passeata por dia. Na verdade, vieram duas levas de Vila Velha (cidade vizinha) que podem ser consideradas “passeatas de encontro à grande passeata” – eu batizei assim.

Foi pedido que todos comparecessem de branco. Li, antes de sair de casa, dicas de segurança – passadas por manifestantes e por policiais -, arrumei uma mochila com uma muda de roupa, pouco dinheiro e um documento. Infelizmente, me esqueci do vinagre e das maçãs (para comer durante o trajeto – que era longo). Saí de casa e me encontrei com mais uma quantidade absurda de gente vestida de branco.

Logo no começo foi bem bonito ouvir aquela multidão (juntamos 100 mil pessoas, cerca de 1/4 da população de Vitória) cantando o hino nacional na Reta da Penha (a principal avenida da cidade).  Depois disso ouvi pessoas pedindo que os moradores dos prédios ao redor piscassem as luzes, ouvi gente gritando “vem pra rua”, ri com diversos cartazes engraçados (eu sempre apoio o bom humor), mas… faltou alguma coisa. Faltou unidade.

Eu sei que a ideia do movimento é justamente que ele seja heterogêneo, apartidário e que cada um possa chamar por aquilo que quer que mude. #mudabrasil. Muito bonito. Muito mesmo. Mas, a meu ver, existem pontos comuns a todos. Somos contra a corrupção, a favor de medidas que tornem a corrupção mais difícil, queremos que políticos corruptos sejam devidamente julgados e punidos, concordamos que pagamos impostos em demasia e pouco – ou quase nenhum – uso dessa soma de dinheiro é visto pela população… Existem muitos pontos comuns. E eu pergunto: por que não há um brado mais eloquente que o simples vem pra rua?

Eu ouvi inúmeras críticas sobre o fato de os manifestantes cantarem o hino: relacionam o hino à nossa independência sem guerra, a nossa bandeira a não sei que movimento e… sinceramente? Que lindo que a população foi capaz de entender o hino que canta. Eu me emociono toda vez que eu vejo um cartaz escrito verás que um filho teu não foge à luta. O povo tem uma identidade que está relacionada à bandeira, ao brasão e ao hino. Acho lindo. Acho lindo criar novos significados a coisas antigas e sucateadas – como aquela frase de Ordem e Progresso. Tudo o que sempre vi foi desordem e estagnação. Que faça-se a ordem e que se inicie o progresso, então.

Ok. Estou nacionalista neste momento. É difícil não ficar.

Depois de depredarem a 3ª Ponte – que liga a Ilha de Vitória ao continente através de Vila Velha -, e insistirem, nas redes sociais, que fosse dado fim ao pedágio que nos é cobrado desde a sua construção (inicialmente para pagar a ponte e posteriormente para a manutenção da mesma), foi hoje aprovado regime de urgência para a votação do projeto que dá fim à cobrança do pedágio. Em outras cidades, os aumentos das passagens foram revogados… Enfim…muito bonito.

Agora, se alguém discordar de mim que passar o dia inteiro recebendo notícia sobre protesto, convite para participar de protesto e não sei mais o quê no facebook é chato para caralho. Por favor, me xingue nos comentários. No momento, eu cansei de ser revolucionária.