cansei de ser revolucionária

Bem, essa onda de protestos que ocorrem atualmente no Brasil e que não são por apenas vinte centavos já ocorrem há tempo demais para eu me manter calada. Verdade seja dita: eu tenho preguiça de política, movimento estudantil e hipocrisia.

Para os que não sabem, eu fiz o meu ensino médio no CEFETES, que hoje se chama IFES, ou seja, no que, um dia, foi a Escola Técnica do meu estado. Dentro do CEFETES havia um grêmio um tanto quanto forte, com pessoas de movimentos de esquerda que tentavam fazer com que os alunos fossem um pouco mais politizados. Participei do grêmio, fui a passeatas… enfim, fiz parte do movimento estudantil de Vitorinha. E falo: que bosta.

A primeira questão, para mim, é que o movimento estudantil é, em plenos anos 2000, de esquerda. Gente, que preguiça de separar em direita e esquerda. A Revolução Francesa foi em 1879 e esse lance de separar em direita e esquerda já está para lá de demodé. E, para trazer o caos: eu adoro a direita. Não a direita fascista, mas a direita. Aquela do capitalismo lindo.

A segunda questão é que ninguém, no movimento estudantil, fala coisa com coisa. Eu lembro que os meninos usavam na camisa da chapa do Grêmio Rui Barbosa os dizeres “Não à Alca” – Oi? Espera um pouco: enquanto eu queria descobrir os motivos de o porteiro não me deixar entrar na escola de tênis verde ou portando meu violão ou, ainda, o motivo de termos que estar sempre uniformizados e sabermos que entravam pessoas aleatórias na escola o tempo todo apenas dizendo “Não estudo aqui”, os meus colegas de grêmio estudantil queriam discutir a Alca. Ok, eu acho que essa é, sim, uma discussão relevante, mas não o objetivo de um grêmio estudantil. Acreditem: tínhamos questões muito mais importantes para debater.

Bom, eu poderia passar o resto da vida dizendo os motivos pelos quais eu tenho preguiça do movimento estudantil de forma geral, mas não vou insistir no assunto…

Depois da minha decepção com o movimento estudantil e a elite intelectual da minha adolescência, eu decidi me desligar de conhecimentos sobre política e desenvolvimento urbano porque, sinceramente, morando no Brasil, é definitivamente muito chato discutir esse tipo de assunto. Aliás, ter conhecimento sobre os acontecimentos políticos da minha pátria mãe (se é pátria, como pode ser mãe?) é algo tão desgostoso, que depois de ter repetidas vontades de vomitar, eu decidi me abster. E fiz isso da forma que eu sabia: passei a anular meus votos em todas as eleições. Não vejo propósito em (a) votar num político que desconheço e (b) votar em gente desonesta.

E não estou nem dizendo que apenas políticos são desonestos. O povo brasileiro é desonesto – e muito. Eu já saí de um bar sem pagar a conta. Sou super desonesta. E quem rouba copo de boteco também. Assim como quem estaciona em local proibido.

No dia 20 de junho de 2013, eu participei de uma das passeatas (conhecida como “uma das manifestações”) que ocorram na minha cidade (Vitória, ES). Não sei como funciona nos outros lugares, mas aqui é uma passeata por dia. Na verdade, vieram duas levas de Vila Velha (cidade vizinha) que podem ser consideradas “passeatas de encontro à grande passeata” – eu batizei assim.

Foi pedido que todos comparecessem de branco. Li, antes de sair de casa, dicas de segurança – passadas por manifestantes e por policiais -, arrumei uma mochila com uma muda de roupa, pouco dinheiro e um documento. Infelizmente, me esqueci do vinagre e das maçãs (para comer durante o trajeto – que era longo). Saí de casa e me encontrei com mais uma quantidade absurda de gente vestida de branco.

Logo no começo foi bem bonito ouvir aquela multidão (juntamos 100 mil pessoas, cerca de 1/4 da população de Vitória) cantando o hino nacional na Reta da Penha (a principal avenida da cidade).  Depois disso ouvi pessoas pedindo que os moradores dos prédios ao redor piscassem as luzes, ouvi gente gritando “vem pra rua”, ri com diversos cartazes engraçados (eu sempre apoio o bom humor), mas… faltou alguma coisa. Faltou unidade.

Eu sei que a ideia do movimento é justamente que ele seja heterogêneo, apartidário e que cada um possa chamar por aquilo que quer que mude. #mudabrasil. Muito bonito. Muito mesmo. Mas, a meu ver, existem pontos comuns a todos. Somos contra a corrupção, a favor de medidas que tornem a corrupção mais difícil, queremos que políticos corruptos sejam devidamente julgados e punidos, concordamos que pagamos impostos em demasia e pouco – ou quase nenhum – uso dessa soma de dinheiro é visto pela população… Existem muitos pontos comuns. E eu pergunto: por que não há um brado mais eloquente que o simples vem pra rua?

Eu ouvi inúmeras críticas sobre o fato de os manifestantes cantarem o hino: relacionam o hino à nossa independência sem guerra, a nossa bandeira a não sei que movimento e… sinceramente? Que lindo que a população foi capaz de entender o hino que canta. Eu me emociono toda vez que eu vejo um cartaz escrito verás que um filho teu não foge à luta. O povo tem uma identidade que está relacionada à bandeira, ao brasão e ao hino. Acho lindo. Acho lindo criar novos significados a coisas antigas e sucateadas – como aquela frase de Ordem e Progresso. Tudo o que sempre vi foi desordem e estagnação. Que faça-se a ordem e que se inicie o progresso, então.

Ok. Estou nacionalista neste momento. É difícil não ficar.

Depois de depredarem a 3ª Ponte – que liga a Ilha de Vitória ao continente através de Vila Velha -, e insistirem, nas redes sociais, que fosse dado fim ao pedágio que nos é cobrado desde a sua construção (inicialmente para pagar a ponte e posteriormente para a manutenção da mesma), foi hoje aprovado regime de urgência para a votação do projeto que dá fim à cobrança do pedágio. Em outras cidades, os aumentos das passagens foram revogados… Enfim…muito bonito.

Agora, se alguém discordar de mim que passar o dia inteiro recebendo notícia sobre protesto, convite para participar de protesto e não sei mais o quê no facebook é chato para caralho. Por favor, me xingue nos comentários. No momento, eu cansei de ser revolucionária.

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