Procon

A: Quero brincar com neném!!
B: Compra um pra você.
A: Ah não. Demora muitos meses para ficar pronto e depois nem é neném por muito tempo.
B: Procon.

Encontrei isso nos rascunhos do blog e não lembro com quem foi essa conversa e nem o momento em que aconteceu, mas acho que qualquer comentário que eu fosse fazer a respeito estragaria a naturalidade do diálogo. O máximo que posso adicionar é que obtive sucesso com o Procon do Espírito Santo quando precisei dele.

violência

Hoje, eu vi mais um post no Facebook de alguém reclamando de policiais municipais da cidade de Vitória presentes nos cruzamentos a fim de multar motoristas imprudentes. O argumento era de que esses mesmos policiais deveriam estar nas ruas nos defendendo da violência, mas estavam apenas fazendo rodar a indústria de multas.

Nesses momentos, eu me sinto tão frustrada com a sociedade que chega a ser difícil me explicar. Não se pode pensar que a violência se manifesta apenas na forma de roubos, furtos, estupros, assassinatos e afins. A violência está presente em diversos nichos: trânsito, casa, trabalho…

Se eu tenho um chefe que abusa do poder dele, eu tenho um chefe violento – mesmo que assédio sexual não esteja envolvido. Vou tentar ser mais clara: eu sou professora e, portanto, soberana em minha sala de aula. Eu estudo o material utilizado, preparo minhas aulas com base no material e nos meus conhecimentos obtidos durante a minha graduação, avalio os meus alunos e os julgo aptos – ou não – a prosseguir para o próximo nível de estudos. Se eu tenho um chefe que, mesmo sem conhecer meus alunos, sente-se no direito de questionar, baseado em absolutamente nada, as notas que dou aos meus alunos e, com isso, questiona o meu julgamento, ele é um chefe violento. Não por questionar meu julgamento, mas por exigir que eu deva avaliar meus alunos baseado no julgamento dele – que não conhece os meus alunos. Sim, isso é violência e ninguém vai me fazer mudar de ideia.

Voltando à questão inicial: a violência se manifesta no trânsito. Ora, vocês dirão, é óbvio! Quantos casos não escutamos de motoristas que chegam a apontar armas uns aos outros por conta de desavenças no trânsito?! Não é disso que eu estou falando! Isso se enquadra no padrão corrente de violência contra o ser humano – estou falando de movimento de carros nas ruas.

A população proprietária de veículos automotores entende que pedestre é uma praga, por exemplo, porque pedestre não atravessa a rua somente na faixa, porque pedestre nem sempre espera o sinal abrir para ele para poder atravessar, porque… Enfim, existem várias coisas. Então a polícia decide fazer plantão nos cruzamentos. Sabe aquele sinal que você avançou por nenhuma razão cabível? Então, você poderia ter atropelado um pedestre, tornando o trânsito violento. Ou você poderia ter batido num outro carro. Você acha ruim a polícia multar essas pessoas? E se a pessoa lesada pelo atropelamento – ou pela batida – fosse você? Você deixaria de processar o motorista imprudente?

Em algum momento neste mês ou no mês passado, eu li algo sobre a Teoria das Janelas Partidas, que descreve uma condição do comportamento humano. De forma breve: nós nos moldamos conforme convivemos com comportamentos padrão. De forma que, a partir do momento em que motoristas são multados frequentemente por avançar sinais vermelhos, esses mesmos motoristas – e mais alguns – passam a não avançar sinais. Depois de um tempo, avançar sinal torna-se algo intolerável naquela comunidade. Ah! Isso não funciona! Funciona sim! Querem um exemplo?

Bom, desde que nasci, eu moro na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo – um estado que ninguém lembra que existe, exceto os mineiros que gostam de praia. Quando eu cursava a extinta oitava série, houve uma campanha, no bairro Jardim da Penha, numa parceria entre escolas privadas do bairro e polícia municipal (que, naquela época, era responsável apenas pelo trânsito), que consistia em levar alguns dos alunos para as ruas, acompanhados de um responsável da escola e de alguns policiais, com uma faixa em mãos com dizeres sobre respeitar a faixa de pedestre. Isso mudou a cultura desse bairro e das pessoas que o frequentam. É uma fala comum na minha cidade Em Jardim da Penha, todo mundo para para pedestre (aliás, quem tirou esse acento do pára?). E todos param mesmo – mas praticamente somente nesse bairro. Agora, imaginem se o trânsito não seria muito mais violento nesse bairro se ninguém parasse para os pedestres atravessarem? Principalmente num bairro em que a maioria da população ou é idosa ou é estudante universitário. Socorro, zilhões de atropelamentos.

Enfim, eu falei mais pra cima como me sinto frustrada com esses posts que vejo na internet. E fico mesmo. É muito frustrante, depois e anos de leitura e estudo (não sobre o tema violência no trânsito), perceber a falta de visão da população que me cerca. São pessoas que frequentaram a escola, são pessoas que fazem ou fizeram um curso superior, são pessoas estudadas… Essas são as mesmas pessoas que falam que a população iletrada desconhece e não compreende muita coisa, mas… não são essas pessoas tão sem visão quanto? E, pior, pessoas que têm acesso a informação e se recusam a buscá-la. É horrível.

Having a cat as a pet

I was comfortably sitting on my bed watching Grey’s Anatomy and having lunch when I saw my dear cat playing with something. Looking more closely I realized it wasn’t any of her toys, so I became curious. It was a cockroach.

At first, I was happy, for I hate cockroaches. But then I realized that the fucking dead thing was turning itself into pieces. Conclusion: my bedroom floor is full of cockroach pieces. And I am the one who’s going to clean it up. And I hate cockroaches.

Quando viver de forma alternativa passou a ser chato

Eu sempre vivi de forma alternativa. Sempre fui notívaga, sempre odiei acordar cedo (no, I’m not a morning person), sempre gostei de lecionar no período noturno e nunca me incomodei com as olheiras crônicas.

Quando eu cursava Letras na federal, eu fazia minha graduação no período matutino e lecionava na escola de idiomas da faculdade no período noturno: era a única forma que eu tinha encontrado de não ter alunos adolescentes (as turmas de adolescente são no período matutino ou no início da tarde). Eu não suporto dar aulas para adolescentes – eles me irritam.

Bem, nessa época, como eu terminava a última aula às 21h30, era praticamente impossível chegar em casa e dormir logo – eu precisava de um tempo para desacelerar e só depois eu conseguia dormir. Sinceramente, a graduação em Letras não me tomou grandes esforços mentais e as horas destinadas a estudo eram poucas e em raros semestres, então eu podia gastar uma quantidade grande de tempo dormindo fora do horário padrão para compensar as poucas horas de sono noturnas. Ora, eu precisava estar na UFES às 7 da manhã e meu trajeto, de ônibus, durava, em média, 40 minutos. O que significa que eu precisava acordar bem cedo para me arrumar e sair. O café da manhã eu tomava na faculdade, porque significava que eu poderia dormir cerca de 15 minutos a mais todos os dias. Durante esse período também, eu não fazia muita questão de assistir aulas, então eu contava as faltas que tinha em cada disciplina e ficava em casa a dormir, caso me apetecesse.

Bom, eu nunca trabalhei muitos dias na semana, sempre tive a oportunidade de escolher meus horários – e ganhar menos por isso – e praticamente nunca estava cansada de trabalhar. Bom, pelo menos não no sentido físico. Quando eu, finalmente, me formei em Letras – Inglês e, com isso, tirei um peso enorme das costas, eu me matriculei no pré-vestibular e fui prestar vestibular para engenharia.

Já nessa época, o peso do trabalho começou a ser grande. Eu tinha menos horas disponíveis de estudo que os meus colegas de sala e, além disso, eu dormia bem mais tarde do que deveria todos os dias por conta do trabalho que era noturno. Além disso, embora eu ainda residisse na casa dos meus pais, eu ainda precisava cuidar das minhas refeições (almoço e janta) e isso tornava a coisa toda muito mais cansativa e encolhia ainda mais o meu dia. A minha não aprovação no vestibular foi apenas uma comprovação de que essa rotina não era a ideal para mim naquela época da vida.

Mesmo sem a minha aprovação na federal, iniciei o curso de engenharia numa particular – eu queria mesmo dar início a uma nova fase na minha vida e cursar engenharia é um ponto muito importante nisso. E foi a mesma rotina da faculdade de letras: estudos pela manhã, trabalho à noite. Confesso que, no começo do curso, essa rotina foi relativamente satisfatória: eu trabalhava num lugar maravilhoso em que eu podia desmarcar aulas durante as minhas semanas de prova e, com isso, não perdia tempo de estudos com trabalho. Eu perdia uma quantidade de dinheiro por isso, mas, ainda assim, o resultado final compensava. Afinal, é muito gratificante não dever matérias nos períodos iniciais do curso de engenharia.

Depois de um tempo, eu decidi me arriscar no Processo Seletivo de Vagas Surgidas da UFES e, para minha alegria, eu fui aprovada. Foi um dos momentos de maior felicidade da minha vida, embora eu soubesse que a calmaria no curso acabaria com certeza. E acabou. Como o currículo era muito diferente, eu tive que retornar ao segundo período, tive que cursar disciplinas complicadas e que me assombravam desde tempos remotos.

Nessa época, eu estava muito desapontada com a minha profissão de professor e a má remuneração que eu recebia. Então eu parei de lecionar. Talvez um pouco por influência das minhas amizades, eu arrumei emprego num restaurante e fui trabalhar como hostess. O trabalho era me simples, mas começava às 18h e terminava às 2h e isso comia o meu principal horário de estudo. Para compensar as horas de estudo perdidas, eu me obrigava a acordar às 10h e retomar os estudos. Em suma: ao fim de 2 meses eu fui mandada embora e fiquei mega feliz com isso. Eu estava exausta. Não tinha mais idade para uma rotina tão pesada. E foi aí que eu comecei a refletir sobre o meu modo de vida alternativo: será que eu era tão notívaga assim? Eu cheguei a cogitar a possibilidade de chegar em casa e estudar e dormir até a hora de ir para a faculdade, mas a verdade é que eu chegava em casa exausta e sem disposição para coisa alguma.

Depois de constatar que ter um emprego noturno não seria exatamente viável durante a faculdade, eu resolvi voltar a lecionar. Eu tinha uma relação muito saudável com uma colega de faculdade e ela conseguiu me arrumar um emprego na escola em que ela trabalhava. A questão é que, para tal, eu precisaria entrar na cooperativa dos professores de inglês. Bom, eles me sequestram $50 por mês para pagar a minha cota – durante dez meses – e depois eu estou livre dessa taxa. De fato o salário subiu assombrosamente e, como eu tenho turmas, e não alunos individuais, eu não tenho um salário flutuante. Recebo uma quantia fixa por mês.

No entanto, eu continuo muito cansada. Parece que eu não tenho mais o pique dos tempos de outrora. Chego em casa às dez, porque meu trabalho é longe, e ainda preciso comer e me organizar para dormir. Não consigo dormir antes de meia noite e preciso acordar cedo para assistir aulas na faculdade no dia seguinte. Para a minha alegria, eu resido mais perto da UFES e tenho carro atualmente, então posso dormir um pouco mais. Em compensação, eu não moro mais com meus pais e não posso gastar todo o meu income com refeições no campus.

Além das horas de trabalho à noite, do cansaço que isso me traz e da redução no tempo dedicado à estudo, eu trabalho nos sábados pela manhã. Eu acho isso um absurdo. Trabalhar nos sábados é perder o fim de semana. Aqueles dois dias em que se pode dormir até mais tarde, sem se preocupar com a vida… É. Isso não existe. Minhas infinitas horas de sono ocorrem apenas aos domingos. No sábado, eu preciso trabalhar e, para isso, eu preciso estar bem disposta. Adeus, cerveja de sexta-feira.

O mais chato não é dormir cedo na sexta e acordar super bem disposta no sábado… O problema é a aceitação. Meus amigos não aceitam. As opções de lazer não aceitam (não posso ir mais a qualquer show que exista na sexta à noite – e tem uns bem legais). Meu corpo não aceita muito bem e minha família, mesmo não dividindo casa comigo, também não compreende muito bem. E eu? Eu fico cansada pelos cantos, achando que vou dar conta de tudo e tendo notas ridículas na faculdade. É isso que acontece.

E é por isso que eu digo que viver de forma alternativa passou a ser chato. Trabalhar e estudar ficou cansativo. Morar longe da asa da mãe se tornou caro. Lazer virou dormir. Companhia se tornou a minha Gata. E tudo o que eu queria era estar formada, assim como meus amigos engenheiros, ganhando a vida sem me preocupar em estudar.