desabafo

Depois de alguns minutos discutindo comigo mesma se era melhor continuar tentando dormir ou se deveria ligar o computador e esbravejar no blog, eu decidi que meu coração estava batendo acelerado demais para dormir – deve ter alguma relação com aquela lata de Red Bull que eu tomei às 18h45.

A verdade é que eu estou me roendo por dentro porque deixei uma oportunidade cabeluda passar correndo e o Primo It decidiu que era melhor ficar careca logo antes que meus dedos segurassem a sua juba.

Conclusão: não aprendi ainda que eu não controlo coisas e pessoas. Saco.

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Sem questionar crenças, mas…

Eu sei que eu vivo numa sociedade essencialmente cristã e que a crença no deus cristão deve ser respeitada e etc, mas algumas coisas realmente me intrigam.

Meus pais não quiseram impor nenhuma religião a mim ou aos meus irmãos, pois acreditavam que nós deveríamos escolher o que achássemos melhor – isso se tivéssemos vontade de escolher alguma coisa. Ok. Mais ou menos. Eu estudei numa escola batista até a segunda série e havia ensino de religião na escola – eu ainda sei cantar várias músicas da igreja batista até hoje.

No fim das contas, eu não escolhi religião nenhuma e, possivelmente, isso aconteceu justamente por nenhuma delas me ter sido empurrada goela abaixo. Eu tive curiosidade algumas vezes, procurei saber algumas coisas e… e fiquei feliz em não escolher nada. Eu não me sinto perdida no mundo por conta disso. Na verdade, eu me sinto livre para agir da maneira que eu acho correta.

No entanto, existem aquelas regras sociais que ditam formas de agir. É como ter que achar absolutamente aceitável entrar num estabelecimento comercial e me deparar com uma cruz, ou ter que ler deus é fiel nas cédulas de real – eu convivo com isso, eu respeito a sua crença  – só não tente me catequizar, não funciona assim.

Eu me recordo claramente da minha irmã me mostrando o agradecimento que ela escreveu para colocar no convite de formatura dela: agradeceu aos pais, à família, ao namorado, aos amigos e a deus. Oi? Perguntei imediatamente o motivo de deus ter aparecido ali, principalmente porque, assim como eu, minha irmã não é uma pessoa religiosa. Ela me disse que todo mundo coloca. Pera. Como? Sim, minha irmã agradeceu a deus no convite de formatura porque é algo que todo mundo faz.

Eu lembro de questionar esses agradecimentos a vida inteira. Deus estudou por você? Deus subornou seus professores? Deus embutiu conhecimento na sua cabeça? Deus ficou com a bunda quadrada e cheio de olheiras de tanto estudar? Deus pagou caro pelos seus estudos? Deus corrigiu suas provas? Deus fez as provas no seu lugar? Não, porra. Você quem foi lá e fez.

Estava eu hoje de bobeira rolando o feed do facebook, quando em deparo com a seguinte imagem:

E foi aí que eu percebi que Maurício de Souza sabia do que eu estava falando. Obrigada, Maurício, já não me sinto mais sozinha.

insônia

Durante parte da minha adolescência, eu tive o desprazer de sofrer de insônias terríveis, acordando sempre durante a madrugada e isso me deixava muito angustiada. Depois de um tempo, eu comecei a simplesmente passar noites em claro e passei a dormir num horário diferenciado. Essa prática durou algum tempo, mas logo se tornou impraticável devido a minha rotina padrão – que envolvia estar de pé e descansada na aula durante a manhã.

Após um certo tempo, eu percebi que valia a pena dormir mais tarde mesmo, pois meu horário de sono mais saudável era durante o nascer do sol, e passei a compensar meu curto sono da noite com cochilos durante o dia – funcionava muito bem quando a rotina permitia – e permitiu durante toda a faculdade de Letras e durante parte da faculdade de Engenharia.

Hoje eu me pego num momento de dúvida sobre esses meus hábitos, assim, meio diferentes do padrão. Normalmente, quando eu acordo no meio da noite, eu acordo cheia de pique e sem o menor sono. Não foi exatamente o que aconteceu hoje, mas mesmo assim vale a reflexão: se eu não tivesse nada para fazer durante a manhã, eu me colocaria de pé e iria estudar – ou ler um livro, ou escrever um texto, ou colorir, etc; mas como eu tenho de estar na aula às 7h, eu me sinto obrigada a dormir. O problema é: eu não consigo.

Como eu tenho uma dificuldade natural em dormir à noite, eu criei certos hábitos que ensinam ao meu corpo que aquela é a hora de dormir: um banho morno, escovar os dentes, me aproximar da cama, fazer as coisas mais devagar. Obedecer essa rotina não garante uma boa noite de sono, mas facilita todo o processo. Muita gente recomenda uma leitura antes de dormir, dizendo que ler dá sono. Não é uma afirmação totalmente equivocada, pois algumas leituras realmente me trazem sono, mas a maioria dos textos que leio para lazer me deixam mais agitada que sonolenta. Eu gosto de ler, mergulho na leitura e esqueço que tenho que dormir.

Estudar, por outro lado, me dá muito sono – muito sono mesmo. Mas, assim como ensinei ao meu corpo a hora de dormir, ensinei a mim a hora de não dormir – na verdade, ainda ensino. Leitura acadêmica, em geral, é mais monótona e sem surpresas. Não significa que a leitura acadêmica não seja interessante, apenas não é uma escrita feita para despertar emoções no ser humano, o que a torna, sim, provocadora de sono. No entanto, eu não posso estudar para sentir sono, faria uma loucura no meu organismo – principalmente em semanas de prova.

A minha dúvida é: devo alimentar minha sede produtiva da madrugada, mesmo tendo que estar na faculdade às 7h e precisando dar aulas até às 21h30? Ou devo simplesmente rolar na cama indefinidamente até dormir? Será que rolar na cama vai mesmo me fazer dormir?

Desde que eu acordei, eu tentei consertar meu ventilador (estava fazendo um barulho horrível e coloquei óleo de cozinha nele, porque não tem óleo de máquina na minha casa), li uns 5 textos diferentes num blog, brinquei com a Gata e agora estou aqui, escrevendo esse texto. E aí eu me pergunto: não seria melhor se eu tivesse simplesmente sentado para estudar? Eu não sei. Me pergunto também: será que amanhã eu vou ter tempo de repor essas horas de sono perdidas? Mais importante ainda: será que eu vou estar em forma e bem disposta até às 21h30?

Alguns amigos já me perguntaram o porquê de eu não tomar nenhum tipo de relaxante para dormir. Primeiro, eu jamais tomaria qualquer medicamento desse tipo sem fortes recomendações médicas. Segundo, eu tenho resistência em relação à esse tipo de conduta. Por fim, em alguns países mais desenvolvidos, rotinas diferenciadas são respeitadas e foram criadas, portanto, novas rotinas de estudo e trabalho em horários fora do padrão; será que eu estou vivendo de acordo com as necessidades do meu corpo? Será que eu estou respeitando o meu corpo?

Enfim, não sei o que fazer. Só sei que dormir não será fácil. Bom, como tenho que aproveitar esse tempo para alguma coisa, eu vou iniciar uma leitura aqui – sem relação com estudo.