“mas você não é todo mundo”

Todo mundo tá falando desse tal movimento do dia 15/03, dizem que uma das reivindicações é o impeachment da Dilma. Bom, seria, no mínimo engraçado tirar essa mulher do governo 5 meses após a eleição, mas vamos conversar sobre a minha memória.

Eu me lembro perfeitamente do #vemprarua e da galera insistindo que os malditos R$0,20 de aumento das passagens de ônibus não eram os responsáveis pelo caos nas ruas do país. Afinal, estávamos na rua por muito mais que meros vinte centavos.

Estávamos na rua, porque não agüentamos mais corrupção, porque pagamos muitos impostos para ter saúde, educação, segurança e transporte públicos de qualidade e, ainda assim, pagamos plano de saúde, escola e/ou faculdade particular, temos carro – para chegarmos ao trabalho ou escola na hora certa – e somos assaltados, estuprados, mortos.

Eu sempre gosto de falar que corrupção existe no mundo inteiro. Todo mundo sofre com corrupção. E é verdade. E todo sistema de transporte público tem falhas e a maneira que ensinamos nossas crianças nas escolas, hoje, é retrógrada. A questão é: minha mãe sempre disse mas você não é todo mundo e eu não quero ser todo mundo!

Dizer que não há lugar perfeito não é argumento. Não existe desculpa para acreditar que as coisas simplesmente irão se consertar ao fim do curso dos tempos. A seca deixou de ser problema exclusivo do nordeste e veio bater à porta das lindas cidades grandes do sudeste. As coisas não consertar-se-ão sozinhas no fim dos tempos.

Eu deixei de me interessar por política ainda nos tempos do extinto CEFETES, atual IFES, quando minha mãe ainda insistia em dizer que eu não era todo mundo e quando os diretores do Grêmio Rui Barbosa insistiam em fazer manifestação contra a ALCA (aliás, isso chegou em algum lugar?).

O cenário político econômico do Brasil no momento é uma piada. Eu poderia juntar minhas malas e ir embora, mas, como eu mesma disse, todo mundo sofre com corrupção e eu não quero ser todo mundo. Eu, sinceramente, não sei o que fazer a respeito da atual conjuntura, mas acredito que ficar em casa escrevendo num blog sobre as minhas frustrações não seja solução.

Tenho perguntas, muitas perguntas. Você, que votou na Dilma, está satisfeito? E quem não votou foi capaz de prever este cenário? Como foi-se tanto às ruas em 2013 e a Dilma foi eleita? Quais as reais consequências de uma intervenção mais séria nesse contexto?