por que protestar?

Eu já devo ter falado isso por aqui, mas eu tenho uma visão muito romântica dos protestos. Não que eu acredite que a vida seja de fato assim, mas porque eu acredito que aquele que protesta deve fazê-lo com paixão.

Ir às ruas e pedir qualquer coisa tem que ser um ato passional, tem que ser feito com sangue e lágrimas nos olhos e com mãos tremendo e mais um monte de coisa. Não por medo ou ódio, mas pela crença de estar fazendo a coisa certa. Pela crença em algum ideal – aquele te que faz ir às ruas protestar.

Hoje eu me deparei com a seguinte imagem no facebook:

Primeiro, tem-se que pagar direitos trabalhistas para as empregadas domésticas desde que eu me entendo como gente e quem não o faz não age de maneira correta, então isso não é ponto de discussão.

Segundo, é muita ingenuidade acreditar que a classe média está realmente preocupada com quem frequenta as universidades federais. Quer dizer, desde que a classe média as continue frequentando. Como eu tenho certeza? É só entrar numa sala de faculdade particular e fazer uma pesquisa rápida: a maioria utiliza algum tipo de financiamento e só vai pagar pelos estudos depois – se conseguir emprego, porque, meu amigo, tá foda.

minha preocupação é com que bagagem essas crianças chegarão às faculdades e às universidades. Ou antes mesmo às escolas e depois ao mercado de trabalho. Eu mesma fui uma pessoa que julgava inviáveis as cotas para alunos de escola pública e mordi minha língua. Conheço alguns que são ótimos alunos e exemplos a serem seguidos pela sociedade. Mas e todos os outros filhinhos de papai e mamãe que são tomados pelo preconceito?

Eu fiz meu ensino médio no CEFETES (sim, eu falo muito isso por aqui) e, por mais que eu tenha estudado com colegas dos mais variados bairros da cidade, a maioria não era pobre. Mas essa minoria, que de fato precisava do ensino público, era a galera que mais se preocupava em estudar para passar de ano. Pessoas amáveis.

minha preocupação é em saber se as nossas amadas Universidades Federais estarão em pleno funcionamento e se comportarão o número crescente de pessoas candidatas a serem suas alunas. A minha preocupação é em saber se a educação de base vai estar suficiente, se os meus filhos poderão estudar em escola pública.

Me preocupo em saber se, no futuro, o dinheiro que eu pago em impostos vai ser revertido para o restante da população de forma honesta e eficiente. Me preocupo em saber se eu poderei chegar em casa de madrugada – ou meus filhos – sem a preocupação de olhar para todos os lados e sem ficar extremamente preocupada toda vez que o controle da garagem falha e eu demoro 2 minutos para passar para o lado de dentro.

Me preocupo em saber se, em algum momento, as pessoas vão parar de se preocupar com cor, credo e orientação sexual de terceiros. Porque, sinceramente, estamos em 2015 e eu não entendo a relevância desse tipo de discussão.

Sinceramente, seja verde, acredite em trolls e faça amor. Faça muito amor, o mundo precisa de mais gente fazendo amor.

Então, por que protestar? Vamos protestar, gente. Se você está insatisfeito, proteste. Vá às ruas, grite. Bata suas panelas. Exija aquilo que te foi prometido. Mas, por favor, parem com essa coisa de Dilma x Aécio, como se estivessem numa gincana de escola. As coisas não são assim. E mesmo você que acredita num governo mais humano, pense sobre o que tem acontecido hoje em dia. As cotas e o bolsa família não vão deixar de existir, mas tá faltando alguma coisa e todo mundo sabe disso. E se você acha que o governo não tem que ser assistencialista, lembre-se que você paga impostos para que ele seja e você deveria cobrar isso só pelo fato de estar pagando.

PS. Eu não estive presente em nenhuma das manifestações dos domingos. Infelizmente, eu passo meus domingos estudando a fim de tentar ter um emprego que me sustente no futuro. Eu preferia passar os domingos deitada na sombra bebendo cerveja gelada – um dia eu chego lá.

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3 thoughts on “por que protestar?

  1. Fui almocar no Domingo e vi um casal de jovens com o abada do “ForaDilmaFolia”. Achei interessante que ate a menina modificou a camisa de modo que ficou igual `as de micareta mesmo. Bater panela e ir pra protesto como se fosse evento, nao vejo sentido nisso. Essas pessoas estao insatisfeitas, sim (quem nao esta?), mas nao a ponto de sair na rua pra bater panela na frente de assembleia, prefeitura, etc. Bater panela dentro de casa? Acham seriamente que isso mostra insastifacao? Bom, na minha visao mostra que querem que as coisas mudem, nao querem mudar as coisas. Acho que esse e’ exatamente o problema do Brasil. A educacao, a economia, tem solucao sim. Alguns especialista sempre cantam as pedras de como consertar o Brasil, mas quem vai consertar?
    Tou escrevendo muito bla bla bla bla. Comentario nao pode ser maior que post, vou passar a tesoura aqui.
    Final thought on the matter: Vamos fugir!

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