crise no ES #2

Aqui no Espírito Santo, as ruas estão  sem policiamento desde a madrugada de sexta/sábado. Hoje já é quinta feira. Se não estou equivocada, na noite de segunda começaram a chegar, em Vitória, Guarda Nacional e reforços do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Estava de férias em Minas Gerais e cheguei ao ES no domingo à noite. Mesmo sabendo da situação crítica, fui trabalhar na segunda. Fui liberada mais cedo e a sensação era de muito medo.

Os ônibus não circulam ou circularam durante pequenos períodos desde terça-feira (07). A ausência de ônibus circulando já é requisito suficiente para eu me ausentar do trabalho, mas, de qualquer forma, como não há segurança na agência em que trabalho, ela fica impossibilitada de abrir. Ou seja, não trabalho desde então.

Minha comida começou a acabar, então eu fui ao mercado ontem pela manhã. Prateleiras praticamente vazias, carrinhos lotados, muita fila. O entendimento meu foi de que as pessoas estão estocando e os mercados estão ficando sem estoque. Eu cheguei a ver dois homens que pareciam ser gerentes ou proprietários abastecendo algumas prateleiras.

As pessoas pareciam muito apressadas. Ninguém queria ficar muito tempo fora de casa. Muita ansiedade. O mercado fecharia às 13h. Saí depois de meio-dia e ainda havia muita fila. Nesse horário, as ruas já estavam bem mais vazias. Não tinha nem carrinho disponível – fui amontando as compras na minha sacola mesmo e meu pão ficou todo amassado.

Comecei a ouvir teorias da conspiração sobre como tudo o que está acontecendo não passa de um teste para um futuro golpe militar no Brasil todo. Sobre como os bandidos que roubaram dinamites vão explodir as portarias dos prédios e saquear tudo e matar as pessoas. As pessoas, depois de 6 dias de caos, deixaram de ser razoáveis.

A minha rotina tem sido acordar e verificar nos jornais se os ônibus estão circulando e acompanhar no WhatsApp se eu preciso ir trabalhar ou não. Como trabalhar não tem sido possível, gasto meu tempo assistindo séries e lendo El amor en los tiempos del cólera. Também tenho tentado colocar alguma quantidade de razão nas pessoas, mas essa parte é mais difícil.

Ontem, um amigo da PM me ligou. Queria me contar um pouco da versão deles. Não foi nada muito diferente do que eu imaginava, mas algumas informações me surpreenderam. Primeiramente, aumento de salário não é a principal demanda – os jornais veicularam como se eles exigissem aumento de 100%. Em segundo lugar, as condições de trabalho deles – assim como da maior parte do serviço público – não são as mínimas para fazer o trabalho deles: falta colete; os armamentos estão sucateados – e perigosos; as viaturas estão sem manutenção e nenhuma delas é blindada.

O governo ontem à noite se reuniu com as esposas dos militares e não fez nenhuma contraproposta. A reunião durou cerca de 3h. Agora, às 14h de quinta-feira, haverá nova reunião em que o Governo deverá apresentar algo. A população aguarda.

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