não é pastel de belém

Como consta ali no cantinho, eu sou lusobrasileira, o que significa que sou meio portuguesa e meio brasileira. Nasci aqui no Brasil, mas minha mãe veio d’além mar. Não sei se algum dos leitores tem um ou ambos os pais estrangeiros, mas ter mãe portuguesa me trouxe alguns hábitos não brasileiros – acreditem, eu acho super estranho comer arroz e feijão todos os dias.

Bom, a pior parte de ter mãe não-brasileira para mim é morar no Espírito Santo e não comer Torta Capixaba na semana santa. Aquilo é uma delícia de deus. E tem que ser aquela com todos os mariscos nojentos. Esse lance de torta só com bacalhau e palmito não tá com nada.

Depois de alguns anos e algumas visitas a Portugal, além de todos os anos de criação, eu aprendi algumas coisas: come-se bacalhau em absolutamente qualquer situação festiva; vinho da madeira é aperitivo suficiente; as caravelas saíram do Rio Tejo; e os pasteis são de nata.

Mas, não, pera, eu sempre comi pastel de Belém. Então, vamos a uma pequena aula:

No século XIX, existiam as localidades Lisboa e Belém, que passaram a ser uma coisa só muito depois. E ali, em Belém, clérigos criaram uns pasteis de natas e os comercializavam como forma de subsistência. Como o Mosteiro dos Jerónimos ficava em Belém, os pasteis ficaram conhecidos como Pastéis de Belém.
Depois que o mosteiro fechou, o pasteleiro vendeu a receita dos pastéis a um empresário, que a patenteou e abriu a Fábrica de Pastéis de Belém – que fica em Belém -, na qual pode-se apreciar um apetitoso pastel com canela e açúcar, acompanhado de café.

Como a receita foi patenteada, todos os outros pastéis são meros pastéis de nata. Então, se você falar para um português que comeu pastéis de Belém sem nunca ter posto os pés em Portugal, ele vai te perguntar se alguém trouxe de lá.