regen und meer

Adoro quando chove e a sujeira da rua fica presa ao asfalto, sem subir, com o vento, para a minha casa. Sinto enorme vontade de abrir a varanda e sentir a umidade entrar nariz adentro e o vento casa afora.
Adoro esse vento sul que vem com as frentes frias e refresca o Espírito Santo inteiro, sempre tão quente durante o ano…
Adoro observar as gotas de chuva no vidro da janela, de casa ou do carro. Assim como adoro tocar o vidro gelado por conta da chuva.
Adoro como chuva combina com sorvete, mesmo quando está frio. E também como combina com filme, vinho, pipoca, queijo e cobertor.
Adoro guarda-chuvas coloridos, que contrastam com o cinza do céu e o molhado da rua.
Adoro sonhar com alguém que me acompanhe nos meus estranhos hábitos de chuva.
Adoro saber que a água que cai na rua é lindamente encaminhada para o mar.
Adoro cheiro de chuva. E o cheiro do ar antes da chuva. Adoro o cheiro da chuva distante.
Acho lindo como os morros ficam de chapéu quando chove – e adoro saber que vai chover ao vê-los cobertos.
Adoro a luminosidade do dia chuvoso, a baixa luminosidade.
E adoro a vontade de fazer nada e só comer para sempre. De esperar a comida chegar até em casa. Ou a torcida para que as ruas alaguem e eu não precise ir à aula no dia seguinte.
Ok, vocês entenderam, eu adoro a chuva.

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these teenage lips, they speak too fast

Esta semana eu recebi um e-mail dos meus amigos da época do CEFET-ES dizendo que, recentemente, completaram-se 11 anos da data da nossa prova para ingresso na instituição supracitada. Na época, eu tinha apenas 14 anos e não tinha ideia do que seria estudar naquele lugar.
Bom, depois de uma infância e parte da adolescência marcadas pelo excesso de timidez, posso dizer que aquela escola me mudou – para sempre. Pela segunda vez eu me matriculara numa escola na qual meus irmãos não haviam estudado. Era tudo muito novo e eu não podia contar com eles para me ‘salvar’ da timidez. Foi quando decidi guardar a timidez numa caixinha e coloquei a cara no mundo e conheci gente. A timidez ficou bem guardada para momentos como apresentações de trabalho e, mais tarde, para as minhas primeiras experiências na sala de aula.

Conheci gente demais, acho. Gente que hoje nem sei o nome, mas que me para na rua e me pergunta como estou e o que faço da vida. Os meus amigos – a minha gangue, como costumo dizer – são meus amigos até hoje. Alguns mais próximos, outros menos próximos. Mas já não era assim ainda naquela época?

Lembro de aulas matadas e provas feitas em grupo e… faria tudo de novo. Bem… talvez estudasse um pouco mais, eu tinha vergonha de pedir ajuda. Aulas matadas na Praia de Camburi, regadas a vinho e violão. Nossa, como éramos péssimos nisso. Passes escolares trocados por dinheiro bem gasto em churros e McDonald’s… E as festinhas na casa de Pedro? Ê saudade!

Foi no CEFET-ES também que conheci os garotos que se tornaram, mais tarde, meus namorados. Bem, quanto a essas escolhas prefiro não comentar… E foi no CEFET-ES que conheci tantas outras coisas. Foi onde aprendi a jogar truco apostado, onde descobri que, definitivamente, não nasci para jogar xadrez e, acreditem, onde aprendi que fazer provas de saia garantem maior nota na pauta.

Foi nessa época que aprendi que ter sentimentos e, principalmente, mostrá-los pode ser algo perigoso. Foi quando aprendi a curtir a vida.

°°

I remember the time when I was in love with every single guy who would be shy around me. I remember when I would hide my face and pretend I didn’t care. In the end I stopped caring – until I kissed that guy. Then it all changed and I started caring too much. How do I turn it off?

°°

Have you ever seen the light?
Don’t you wonder where I hide?
I will live, then I will die
I will keep you on my mind

sobre meninos e… homens

Sim, eu sou infantil. Sim, já me disseram isso antes. Se tenho vergonha disso? Às vezes sim, às vezes não.

Eu acho que as pessoas deveriam entender quando você pode ser infantil e quando isso é proibido. Existem situações na vida em que esperamos atitudes de homem – e isso vale para as mulheres também. Eu explico – ou tento.

Quando você está se divertindo com seus amigos, você pode – e deve – ser bobo. Coloque a criança que existe em você para fora e ria do seu amigo que coloca a batata frita no nariz, ou da sua amiga que sopra a camisinha do canudo na sua cara e, ainda, se quiser, pode dar tapas nas testas dos seus amigos assim que eles arrotarem e não puserem a mão na testa. Muito normal. Isso independe da idade, sinceramente. A diferença é que depois dos 16, quando jogamos Imagem & Ação, já estamos devidamente alcoolizados.

No entanto, quando a sua namorada te liga num domingo às 23h avisando que bateram no carro dela, você para imediatamente tudo o que está fazendo e vai ao encontro dela – isso é uma atitude de homem. Ou quando você percebe que vai perder o controle, você deve parar e ir embora. Afinal, eu nunca me descontrolei sem saber antes que estava prestes a fazê-lo. Isso também é atitude de homem.

Existem várias atitudes de moleque – ou de menino, como prometer e não cumprir. Ignorar em vez de simplesmente falar. Fingir não dar importância, quando, na verdade, o buraco é bem mais embaixo e isso importa sim. É atitude de menino não ouvir com atenção o que as pessoas têm a dizer. É infantil jogar simplesmente pelo ato de jogar – e não porque você pretende algo com isso. É estúpido e imbecil magoar pessoas pela força do hábito. E se você não tem 60 anos, por favor, não aja como tal – a menos que isso signifique ser homem em alguma das situações supracitadas.

Há algum tempo eu aceitei que a diferença entre os rapazes de 13 e de 27 anos é que os de 27 já possuem, via de regra, capacidade para viver uma vida independente dos pais, avós e/ou qualquer outra pessoa que os sustente. Isso quase nunca me incomoda, exceto quando o ato infantil me afeta de forma direta.

Esse post é dedicado especialmente para o cidadão que não me escutou ontem e para o cidadão que está me ignorando há alguns dias. Sejam homens, conversem comigo e me expliquem o que se passa. É deselegante deixar alguém sem resposta/amparo.

o mundo dá voltas

Esta semana eu perdi uma pessoa muito querida. Ok, não perdi para sempre. Posso dizer que tiramos férias forçadas um do outro. E posso dizer que a saudade já me consome. Mas vai ser bom aprender, novamente, a viver sem ele. Tenho que confessar o brilho no olhar neste momento. Te amo, e você sabe disso.
Como de praxe, decidimos beber em seu último dia em Vix. Afinal, nunca é ruim lembrar dos bons momentos, né? Assim, fico para sempre com uma imagem feliz na cabeça – uma boa lembrança. Bom, acabamos migrando para uma outra despedida. De outra pessoa, a qual conheço bem menos.
Chegando a essa segunda despedida encontrei alguém ilustre. Hahahaha. Brincadeirinha. Encontrei um menino com o qual fiz uma excursão de escola na oitava série. E foi bom conversar. E tocar violão. E cantar.  E chegar às quatro da manhã em casa in a school night.
E depois as pessoas não acreditam em mim quando digo que encontro felicidade nas menores coisas…

Happiness Factory

Quando eu era criança e me imaginava já adulta, eu me imaginava casada e feliz. Bom, o casamento ainda será adiado uns anos, mas a felicidade cotidiana não seria nada ruim. Passamos a vida assistindo a comédias românticas e passamos a crer que a vida real possa ser mais ou menos parecida com a vida da telinha. WRONG! Se todo namorado que tive viesse correndo em direção aos meus braços a me dizer que me ama e que foi imbecil de não ter percebido isso antes, a esta altura eu deveria ter uns 3 maridos e uns 5 filhos, com certeza.
No momento, eu estou numa fase estranha da vida. Formada. Tentando vestibular – de novo. É muito decepcionante terminar um curso superior sabendo querer fazer algo completamente diferente e ter de começar tudo de novo. Mas se a minha vida fosse uma comédia romântica, o meu namorado/marido/melhoramigofuturonamorado me apoiaria dizendo que faríamos isso tudo dar certo, me sustentaria e eu teria uma vida feliz e cheia de flores. Bullshit. Na vida real, as pessoas me olham com feições de reprovação e ainda moro com meus pais porque a vida não é fácil.
Na verdade, isso tudo era pra dizer que… que eu não sei o quão feliz eu sou e, enquanto isso, tomo Coca-Cola todos os dias na esperança de que aquelas gotas de felicidade me tragam algo substancial. But there’s no such thing as a happiness formula.