chove chuva

Pode parecer um cliché chato, mas eu realmente tenho vontade de postar essa música em todas as redes sociais toda vez que começa a chover um bocado aqui em Vitória.

Na verdade, eu acho que uma das poucas memórias boas que tenho do meu pai envolvem essa música: meu pai me colocava no colo e cantava essa música para mim toda vez que chovia bastante. É bom saber que não tenho apenas memórias ruins.

 

Mas eu vou fazer uma prece
pra Deus, nosso senhor
Pra chuva parar
de molhar o meu divino amor

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vou parar de sentir saudades de você, que é pra ver se você sente saudades de mim

E ela sabia que o título era suficiente como post, mas como digitava num blog, e não no twitter, decidiu completar a ideia. E não é uma indireta e nem nada do tipo, é apenas um sentimento.

Os sentimentos, ela pensou, são umas coisas estranhas. Veja bem, ela não sabe ao certo de quem sente saudades – talvez porque sejam muitas as pessoas de quem sente saudades. Ou talvez sinta saudades de momentos – e, nessa hora, ela não pensa em nenhum dos seus antigos amantes, mas em cada momento de risada sincera… ela pensa nela mesmo.

Mas ela já ouviu uma certa frase tantas vezes, que se tornou verdade: é muito bom estar sozinho, mas a vida é muito mais divertida quando se está acompanhado. E se isso não é verdade para todos, ela pensou, então é verdade para mim.

Só que esse post é sobre saudade, e não sobre estar junto. Porque, vejamos, está claro que, para sentir saudades, é preciso estar só. Ela sabe que, no fim das contas, não está de tudo sozinha. Ela tem uma companhia só dela. E que não vai a parte alguma. E que sempre está feliz quando a vê. E foi quando ela sorriu por saber que a escolha mais importante que fez na vida foi adotar um felino.

E ela riu mais uma vez, quando releu aquele título e pensou que é tolo acreditar que pode mandar nos sentimentos. Como se fosse possível mandar um comando para o cérebro que desligasse todos os sentimentos, mas aí… bom, aí seria como deixar de ser e isso não é algo que ela queira. Ela quer apenas… parar de sentir saudades. Não que seja daquelas de matar, mas daquelas que dá um gostinho de quero mais.

Porque, melhor que sentir saudades, é saber que alguém sente falta de mim, ela disse pra si mesma. E sorriu mais uma vez ao se lembrar que, na verdade, existe muita gente que sente falta dela – ou, pelo menos, é nisso que acredita. E aí ela desligou o computador e foi dormir. Feliz, por saber que seu coração não está mais endurecido e também por saber que existem outros tantos corações moles por aí.

a morte pede carona

Estou eu, num sábado à tarde, no conforto do meu lar, lutando contra a ressaca a fim de adiantar ao máximo um trabalho de faculdade, quando o Beto me liga me chamando pra ir a uma festa em Domingos Martins. Quem me conhece minimamente sabe que adoro dirigir em estrada e não são 50 km que vão me segurar em casa. Mas, como eu disse, estava de ressaca e precisava adiantar um trabalho… então fiquei de mimimi. É claro que o Beto me convenceu a ir e levamos o Vitor e um amigo junto. Quer dizer…

Primeiro, eu fui dormir com a esperança inocente de que, se eu não acordasse a tempo, os meninos iriam desistir dessa empreitada. Wrong. Me acordaram e ainda me incentivaram a me arrumar depressa. Ok. Uma hora e x depois, eu estava pronta e fui buscar os meninos. Fui recepcionada com litros de energético e muito bom humor e pé na estrada. Digo, pé de chumbo na estrada.

Conversa vai, conversa vem, o rádio parou de pegar e Pearl Jam começou a rolar no celular… foi quando eu descobri que a festa não era em Campinho, mas sim num distrito de Domingos Martins chamado Melgaço – que, diga-se de passagem, eu nem sabia que existia. E foi aí que eu comecei a pensar que eu poderia estar numa formatura de engenharia, tranquila, em Vitória – ok, na Serra – ou simplesmente em casa escrevendo meu trabalho, mas, não, estava na estrada em direção a um lugar que não sei onde fica.

Passando a rodoviária de Campinho, tem uma estrada muito doida que leva a uns lugares em que não tem nada além de cachoeiras e sítios – Melgaço era nessa direção. A estrada era dessas estreitinhas em que tinha mato de um lado e do outro lado também. Além disso, uma porção de buracos e curvas para todos os lados a cada piscada de olho. E um breu.  Farol alto era pouco e ninguém passando em qualquer dos dois sentidos. Brinquei que estávamos na estrada do filme A Morte pede carona e seguimos viagem.

Milhões de minutos depois e milhares de curvas e… nada de chegar em Melgaço. Digo… na-da. Depois de ainda mais tempo, chegamos a Melgaço de baixo, que tinha, tipo, uma rua para, ainda mais subidas depois, chegarmos, finalmente, a Melgaço. Bom, como a cidade era pequena, foi extremamente fácil chegar ao local da Pommerfest de Melgaço – tinha pulseirinha e tudo, mas perdi no meu carro, então não vai ter fotos.

Ao chegar lá, me perguntei o que raios eu estava a fazer naquele buraco. Bem, na festa, havia dez agroboys para cada roceiro e cinco pomeranas para cada branquela. Ok. Reconhecimento de área feito, ainda não sei o que eu estava fazendo ali. Aliás, nunca vi um lugar com tanto loiro de olho azul feio nessa existência. Dancei uma música com o Beto e continuei sem saber o que estava fazendo ali. Fui buscar um refri e bati um papo com um cara que era de Paraju (outro distrito de Domingos Martins) e continuei sem saber o que fazia ali. Os meninos foram brincar de dar tiro para ganhar brindes e eu continuei sem saber o que estava fazendo ali.

A atração principal da noite, Trio Só Xotão, que era principal só para mim e para o Beto – que fique claro -, subiu no palco e fomos para o salão dançar e foi aí que… Pera lá! Não era para tocar xote? Erm, acho que sim, mas eles só tocavam vanerão – não dançamos. Depois de muito tédio e um lanche horrível, eu decidi que era melhor parar de me perguntar o que eu estava fazendo ali, aceitar que as pessoas não usam desodorante porque são de origem européia e os meninos resolveram voltar para Vitorinha para algum entretenimento mais interessante.

Voltei para o carro e a estrada, dessa vez com neblina. Mas assim, aquela neblina fodidamente densa e um parabrisa que embaçava. Problema de embaçamento resolvido, óculos pregados na cara e muita atenção. Segui em frente. Incrivelmente mais depressa do que subi, quando ainda não tinha neblina. Nossa, esse cara quer morrer com certeza… onde já se viu, andar nessa estrada a essa hora! Todas as pessoas do carro olham pra mim: Que cara? O cara, ué, que estava andando ali… Manoela, não tinha ninguém na estrada. Claro que tinha, um cara passando ali…! Tem certeza de que não era um espírito? Erm… é possível que fosse… Mistério não resolvido, eu tenho certeza de que vi alguém, pode ser que fosse um espírito… Encontramos, depois de muito tempo, a BR 262 e seguimos em direção à Vitorinha.

Os meninos me prometendo pagar minha entrada no rock, me pagar drinks e mais uma porção de coisas, mas eu precisava acordar cedo (sim, no domingo), e acabei dropando os meninos na São Firmino e vim para casa dormir. Acordei, entrei no meu carro e descobri que, no momento, ele fede a cerveja e energético. Vitor e Beto, vocês me devem uma lavagem de carro, ok? Beijos

sambinha bom

É esse que te traz de volta
Que só tocar
Que logo você quer voltar

Existem vários tipos de memórias associativas. Algumas pessoas sentem cheiros e se lembram de pessoas ou situações. Eu, por exemplo, me lembro de um namoradinho que tive aos 15 anos toda vez que sinto o cheiro do perfume dele. Outras pessoas relacionam o que está na cabeça com imagens. Vejo foto de algum animal num zoológico e me lembro da minha primeira visita a um zoológico. Outras  pessoas ainda têm memória associada à música. Toda vez que escuto Sublime ou Foo Fighters penso no meu irmão. É automático.

Algumas músicas parecem chamar pessoas. Ouço essa e minha emoção chama alguém. Quem me dera aparecesse…

Meu coração
Já cansou de tanto choro derramar
E pede “volta” pra gente dançar

Quem me conhece, sabe o quanto de choro eu já derramei. Na maior parte das vezes, por gente que não merecia. Eu sempre digo aos meus queridos e às minhas queridas que a pessoa que te faz chorar, não te faz bem e, por isso, não merece seu choro. Verdade que chorar alivia, sossega – e causa dor de cabeça.

E é só isso que eu quero. Dançar. De todas as formas possíveis. Só quero isso, dançar no aconchego do braço alheio.

Eu, eu quero ficar com você
Eu, eu quero grudar em você
Eu, eu quero me bordar em você

Quero virar sua pele
Quero fazer uma capa
Quero tirar sua roupa

E tem coisa melhor que tirar a roupa do outro com carinho? Ou sem carinho também, tudo depende. Essa música é muito fofa mesmo.

the move out

Bom, como toda pessoa que tem bom senso sabe, existe um momento nas vidas dos animais em que os filhotes deixam de ser filhotes e se despedem de suas mães a fim de viver sozinhos e independentes – animais solitários que são. Ok, nem todos os animais são solitários. Os Golfinhos, as baleias, os lobos… bem, esses vivem juntos. Mas os gatos, em sua maioria, vivem sozinhos. And I’m a cat person.

Infelizmente, depois de alguns conflitos conceituais com a minha querida mãe, chegamos à conclusão de que era melhor que eu me mudasse de casa. Mentira, não foi tão amistoso assim. Na verdade, nós duas sabemos muito bem que discordamos do meu modo de vida e, recentemente, tem sido difícil a convivência diária. Principalmente depois da chegada da Gata, também conhecida como Ferdinando.

Na semana passada, eu me mudei para o meu novo lar. Um apartamento humilde, aqui em Vitória mesmo, ainda afastado da noitada – grazadeus – e o qual divido com 2 amiguinhos. Na verdade, eles já moravam aqui e eu e minha gata – felina mesmo, calma – decidimos ocupar um espacinho na casa.

Graças ao Bart, eu consegui trazer quase todas as minhas coisas numa só viagem, pasmem, dentro do meu lindo João, o C3. A vantagem de ter vários amigos homens e de morar com dois deles é que eles se oferecem para fazer sua mudança (recebi algumas propostas de ajuda) e ainda carregam as suas coisas quatro andares acima num prédio em que não tem elevador. São ou não são uns amores?

Ao chegar, tive uma linda recepção dos meus roommates e uma visita do ilustríssimo Poodle, que trouxe panos de prato e, é claro, cerveja. Bom, tirando alguns pequenos imprevistos (esquecer as calcinhas na casa dos meus pais, a falta de vontade de criar um plano para organizar as roupas  num guarda-roupa diferente do antigo e ter que me livrar de algumas coisas da moradora antiga…), posso dizer que a mudança foi um sucesso. A minha amada Gata não teve o ímpeto de arranhar nada que não fosse o seu arranhador antigo e parece ter se adaptado a sua nova moradia.

A maior felicidade é ter uma cama de casal preta e lymdah e roupas de cama novas. Quem não gosta de roupas de cama novinhas? Não conheço ninguém. A próxima – e urgente – aquisição será uma escrivaninha (espero que também preta e linda ^^).

No mais, espero conquistar coisas úteis no meu Chá de Casa Nova e, mais ainda, espero que meus amigos aprendam a hora certa de trocar a toalha do banheiro e que panos de chão grafite deveriam estar no lixo há muito tempo.

constatações

É engraçado o lugar que a mente alcança quando…

…depois do segundo banho, você nota ainda estar com o cheiro da outra pessoa.

…três dias depois da festa, você encontra um hematoma no braço.

… no dia seguinte à festa, você entende que, sim, você havia bebido demais – ou sua cabeça não doeria tanto.

…você sente um cheiro e automaticamente se lembra de alguém.

…é impossível conter um sorriso.

…você nota que alguém te observa, mas não tem coragem de se aproximar – e você também fica imóvel.