violência

Hoje, eu vi mais um post no Facebook de alguém reclamando de policiais municipais da cidade de Vitória presentes nos cruzamentos a fim de multar motoristas imprudentes. O argumento era de que esses mesmos policiais deveriam estar nas ruas nos defendendo da violência, mas estavam apenas fazendo rodar a indústria de multas.

Nesses momentos, eu me sinto tão frustrada com a sociedade que chega a ser difícil me explicar. Não se pode pensar que a violência se manifesta apenas na forma de roubos, furtos, estupros, assassinatos e afins. A violência está presente em diversos nichos: trânsito, casa, trabalho…

Se eu tenho um chefe que abusa do poder dele, eu tenho um chefe violento – mesmo que assédio sexual não esteja envolvido. Vou tentar ser mais clara: eu sou professora e, portanto, soberana em minha sala de aula. Eu estudo o material utilizado, preparo minhas aulas com base no material e nos meus conhecimentos obtidos durante a minha graduação, avalio os meus alunos e os julgo aptos – ou não – a prosseguir para o próximo nível de estudos. Se eu tenho um chefe que, mesmo sem conhecer meus alunos, sente-se no direito de questionar, baseado em absolutamente nada, as notas que dou aos meus alunos e, com isso, questiona o meu julgamento, ele é um chefe violento. Não por questionar meu julgamento, mas por exigir que eu deva avaliar meus alunos baseado no julgamento dele – que não conhece os meus alunos. Sim, isso é violência e ninguém vai me fazer mudar de ideia.

Voltando à questão inicial: a violência se manifesta no trânsito. Ora, vocês dirão, é óbvio! Quantos casos não escutamos de motoristas que chegam a apontar armas uns aos outros por conta de desavenças no trânsito?! Não é disso que eu estou falando! Isso se enquadra no padrão corrente de violência contra o ser humano – estou falando de movimento de carros nas ruas.

A população proprietária de veículos automotores entende que pedestre é uma praga, por exemplo, porque pedestre não atravessa a rua somente na faixa, porque pedestre nem sempre espera o sinal abrir para ele para poder atravessar, porque… Enfim, existem várias coisas. Então a polícia decide fazer plantão nos cruzamentos. Sabe aquele sinal que você avançou por nenhuma razão cabível? Então, você poderia ter atropelado um pedestre, tornando o trânsito violento. Ou você poderia ter batido num outro carro. Você acha ruim a polícia multar essas pessoas? E se a pessoa lesada pelo atropelamento – ou pela batida – fosse você? Você deixaria de processar o motorista imprudente?

Em algum momento neste mês ou no mês passado, eu li algo sobre a Teoria das Janelas Partidas, que descreve uma condição do comportamento humano. De forma breve: nós nos moldamos conforme convivemos com comportamentos padrão. De forma que, a partir do momento em que motoristas são multados frequentemente por avançar sinais vermelhos, esses mesmos motoristas – e mais alguns – passam a não avançar sinais. Depois de um tempo, avançar sinal torna-se algo intolerável naquela comunidade. Ah! Isso não funciona! Funciona sim! Querem um exemplo?

Bom, desde que nasci, eu moro na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo – um estado que ninguém lembra que existe, exceto os mineiros que gostam de praia. Quando eu cursava a extinta oitava série, houve uma campanha, no bairro Jardim da Penha, numa parceria entre escolas privadas do bairro e polícia municipal (que, naquela época, era responsável apenas pelo trânsito), que consistia em levar alguns dos alunos para as ruas, acompanhados de um responsável da escola e de alguns policiais, com uma faixa em mãos com dizeres sobre respeitar a faixa de pedestre. Isso mudou a cultura desse bairro e das pessoas que o frequentam. É uma fala comum na minha cidade Em Jardim da Penha, todo mundo para para pedestre (aliás, quem tirou esse acento do pára?). E todos param mesmo – mas praticamente somente nesse bairro. Agora, imaginem se o trânsito não seria muito mais violento nesse bairro se ninguém parasse para os pedestres atravessarem? Principalmente num bairro em que a maioria da população ou é idosa ou é estudante universitário. Socorro, zilhões de atropelamentos.

Enfim, eu falei mais pra cima como me sinto frustrada com esses posts que vejo na internet. E fico mesmo. É muito frustrante, depois e anos de leitura e estudo (não sobre o tema violência no trânsito), perceber a falta de visão da população que me cerca. São pessoas que frequentaram a escola, são pessoas que fazem ou fizeram um curso superior, são pessoas estudadas… Essas são as mesmas pessoas que falam que a população iletrada desconhece e não compreende muita coisa, mas… não são essas pessoas tão sem visão quanto? E, pior, pessoas que têm acesso a informação e se recusam a buscá-la. É horrível.

o erro da revolução

Hoje, na cidade de Vitória, houve um protesto contra a cobrança de pedágio na Terceira Ponte – que liga a Ilha de Vitória à cidade de Vila Velha, no continente. Vila Velha é cidade integrante da chamada Grande Vitória e o intercâmbio de veículos ali é elevadíssimo. Embora haja duas outras pontes, definitivamente essa é a preferida pela população.

Os protestos contra a cobrança do pedágio tiveram início há algumas semanas, ainda durante as manifestações contra a corrupção – aquelas, que não eram apenas por vinte centavos. A população capixaba, ao que me parece, elegeu a Terceira Ponte, a Rodosol e o governador Renato Casagrande como símbolos da corrupção no Espírito Santo – e agora isso aqui virou a casa da mãe Joana.

Vou explicar. Primeiro, depredaram as cabines de cobrança do pedágio. Depois disso, invadiram a Assembleia Legislativa a fim de que fosse votado projeto de lei que invalidasse a cobrança – e ficaram acampados lá. Quando o projeto de lei foi vetado – considerado inconstitucional -, a população foi à loucura e começou a quebrar ainda mais coisas. Hoje, depredaram o Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado. Enfim. Zona.

Eu confesso que não estou entendendo mais nada. Primeiro, a manifestação deveria ser pacífica. Segundo, a manifestação deveria ser contra a corrupção, e não por R$1,10 (houve redução no valor do pedágio de R$1,90 para R$0,80). E, terceiro, era para as pessoas saberem o motivo da manifestação. Eu, sinceramente, acho que as pessoas perderam o foco.

Vamos pensar um pouco: a população foi à rua depredar patrimônio público; este é mantido pelo Estado através de impostos pagos pela mesma população que o depredou; o governo terá de reparar os danos com dinheiro público, aumentando a possibilidade de desvios e fazendo crescer a corrupção. Espera. O protesto é contra a corrupção? Sim. E age de forma a incentivá-la? Sim. Então está tudo errado? Sim, está.

O que a maioria das pessoas não entende é que a História do Estado Brasileiro é tão corrupta quanto a sua população. Os nossos primeiros colonizadores eram degredados políticos ou filhinhos de mamãe que tinham algum tipo de bom relacionamento com o Rei e que tiveram o direito de colonizar – e desenvolver – algum pedaço de terra. Ok. Depois disso, vieram os escravos, que era comercializados, e não traficados, visto que era uma prática legal. E depois vieram os italianos, igualmente explorados. Pessoas exploradas tendem a se vingar do sistema explorando outras pessoas. Calma, ficou confuso. O que eu quis dizer é que, na nossa história, sempre teve um infeliz tentando ganhar em cima do outro infeliz. E as pessoas são assim até hoje.

Lutar contra a corrupção envolve tanta coisa que chega a me dar preguiça. Envolve não furar a fila, não estacionar em local proibido, não exceder o limite de velocidade… Lutar contra a corrupção envolve, basicamente, não ser corrupto. Lutar contra a corrupção… E aí? Comofas/

Eu acho linda a ideia de manifestação pacífica – todo mundo de branco, com flores brancas nas mãos. Uma visão bem romântica da coisa mesmo. Eu sou contra essa galera que perde a linha. Eu sou a favor de entregar vândalos à polícia.

Aliás, uma pausa. Gente, na época da Ditadura Militar, aquela da Revolução de 1964, a polícia partia pra cima dos manifestantes com balas de verdade – as pessoas morriam. OK? Agora vamos parar de viadagem, porque a polícia de hoje não é a mesma polícia da ditadura, ok? Ficou claro?

Continuando… eu sou a favor de uma reforma tributária. Eu quero reforma política. Mas, gente, depredar imóvel tombado pela UNESCO é demais. Entendam, vai sair do bolso de cada um. Querer romper com o sistema não precisa significar sair no prejuízo. Sei lá, como símbolo da queda do sistema antigo, vocês podem construir outra sede pro governo e… opa… mais motivo para desvio de verba… É… a coisa tá feia. Talvez eu realmente não saiba como fazer certo, mas, por favor, parem de fazer errado. Vocês estão se ferindo fisicamente e destruindo o lugar maravilhoso (sim, muito belo) onde habitam.

cansei de ser revolucionária

Bem, essa onda de protestos que ocorrem atualmente no Brasil e que não são por apenas vinte centavos já ocorrem há tempo demais para eu me manter calada. Verdade seja dita: eu tenho preguiça de política, movimento estudantil e hipocrisia.

Para os que não sabem, eu fiz o meu ensino médio no CEFETES, que hoje se chama IFES, ou seja, no que, um dia, foi a Escola Técnica do meu estado. Dentro do CEFETES havia um grêmio um tanto quanto forte, com pessoas de movimentos de esquerda que tentavam fazer com que os alunos fossem um pouco mais politizados. Participei do grêmio, fui a passeatas… enfim, fiz parte do movimento estudantil de Vitorinha. E falo: que bosta.

A primeira questão, para mim, é que o movimento estudantil é, em plenos anos 2000, de esquerda. Gente, que preguiça de separar em direita e esquerda. A Revolução Francesa foi em 1879 e esse lance de separar em direita e esquerda já está para lá de demodé. E, para trazer o caos: eu adoro a direita. Não a direita fascista, mas a direita. Aquela do capitalismo lindo.

A segunda questão é que ninguém, no movimento estudantil, fala coisa com coisa. Eu lembro que os meninos usavam na camisa da chapa do Grêmio Rui Barbosa os dizeres “Não à Alca” – Oi? Espera um pouco: enquanto eu queria descobrir os motivos de o porteiro não me deixar entrar na escola de tênis verde ou portando meu violão ou, ainda, o motivo de termos que estar sempre uniformizados e sabermos que entravam pessoas aleatórias na escola o tempo todo apenas dizendo “Não estudo aqui”, os meus colegas de grêmio estudantil queriam discutir a Alca. Ok, eu acho que essa é, sim, uma discussão relevante, mas não o objetivo de um grêmio estudantil. Acreditem: tínhamos questões muito mais importantes para debater.

Bom, eu poderia passar o resto da vida dizendo os motivos pelos quais eu tenho preguiça do movimento estudantil de forma geral, mas não vou insistir no assunto…

Depois da minha decepção com o movimento estudantil e a elite intelectual da minha adolescência, eu decidi me desligar de conhecimentos sobre política e desenvolvimento urbano porque, sinceramente, morando no Brasil, é definitivamente muito chato discutir esse tipo de assunto. Aliás, ter conhecimento sobre os acontecimentos políticos da minha pátria mãe (se é pátria, como pode ser mãe?) é algo tão desgostoso, que depois de ter repetidas vontades de vomitar, eu decidi me abster. E fiz isso da forma que eu sabia: passei a anular meus votos em todas as eleições. Não vejo propósito em (a) votar num político que desconheço e (b) votar em gente desonesta.

E não estou nem dizendo que apenas políticos são desonestos. O povo brasileiro é desonesto – e muito. Eu já saí de um bar sem pagar a conta. Sou super desonesta. E quem rouba copo de boteco também. Assim como quem estaciona em local proibido.

No dia 20 de junho de 2013, eu participei de uma das passeatas (conhecida como “uma das manifestações”) que ocorram na minha cidade (Vitória, ES). Não sei como funciona nos outros lugares, mas aqui é uma passeata por dia. Na verdade, vieram duas levas de Vila Velha (cidade vizinha) que podem ser consideradas “passeatas de encontro à grande passeata” – eu batizei assim.

Foi pedido que todos comparecessem de branco. Li, antes de sair de casa, dicas de segurança – passadas por manifestantes e por policiais -, arrumei uma mochila com uma muda de roupa, pouco dinheiro e um documento. Infelizmente, me esqueci do vinagre e das maçãs (para comer durante o trajeto – que era longo). Saí de casa e me encontrei com mais uma quantidade absurda de gente vestida de branco.

Logo no começo foi bem bonito ouvir aquela multidão (juntamos 100 mil pessoas, cerca de 1/4 da população de Vitória) cantando o hino nacional na Reta da Penha (a principal avenida da cidade).  Depois disso ouvi pessoas pedindo que os moradores dos prédios ao redor piscassem as luzes, ouvi gente gritando “vem pra rua”, ri com diversos cartazes engraçados (eu sempre apoio o bom humor), mas… faltou alguma coisa. Faltou unidade.

Eu sei que a ideia do movimento é justamente que ele seja heterogêneo, apartidário e que cada um possa chamar por aquilo que quer que mude. #mudabrasil. Muito bonito. Muito mesmo. Mas, a meu ver, existem pontos comuns a todos. Somos contra a corrupção, a favor de medidas que tornem a corrupção mais difícil, queremos que políticos corruptos sejam devidamente julgados e punidos, concordamos que pagamos impostos em demasia e pouco – ou quase nenhum – uso dessa soma de dinheiro é visto pela população… Existem muitos pontos comuns. E eu pergunto: por que não há um brado mais eloquente que o simples vem pra rua?

Eu ouvi inúmeras críticas sobre o fato de os manifestantes cantarem o hino: relacionam o hino à nossa independência sem guerra, a nossa bandeira a não sei que movimento e… sinceramente? Que lindo que a população foi capaz de entender o hino que canta. Eu me emociono toda vez que eu vejo um cartaz escrito verás que um filho teu não foge à luta. O povo tem uma identidade que está relacionada à bandeira, ao brasão e ao hino. Acho lindo. Acho lindo criar novos significados a coisas antigas e sucateadas – como aquela frase de Ordem e Progresso. Tudo o que sempre vi foi desordem e estagnação. Que faça-se a ordem e que se inicie o progresso, então.

Ok. Estou nacionalista neste momento. É difícil não ficar.

Depois de depredarem a 3ª Ponte – que liga a Ilha de Vitória ao continente através de Vila Velha -, e insistirem, nas redes sociais, que fosse dado fim ao pedágio que nos é cobrado desde a sua construção (inicialmente para pagar a ponte e posteriormente para a manutenção da mesma), foi hoje aprovado regime de urgência para a votação do projeto que dá fim à cobrança do pedágio. Em outras cidades, os aumentos das passagens foram revogados… Enfim…muito bonito.

Agora, se alguém discordar de mim que passar o dia inteiro recebendo notícia sobre protesto, convite para participar de protesto e não sei mais o quê no facebook é chato para caralho. Por favor, me xingue nos comentários. No momento, eu cansei de ser revolucionária.

um tatu?!

Eu bem deveria estar com a cara pregada no livro ou caderno, mas resolvi dar um passeio pelo twitter e me deparei com a seguinte matéria:

Operação BME: sete presos, armas, drogas e um tatu apreendido

Logo me perguntei “UM TATU?!?!?!?!” e, obviamente, cliquei no link (recomendo) e li a bendita(?) matéria. Fiquem atentos aos highlights:

Ao entrar na casa, a polícia apreendeu nove armas de fogo (quatro revólveres calibre 38, duas espingardas calibre 44, uma espingarda de fabricação caseira, uma pistola calibre 765, e uma pistola calibre 32), três coletes à prova de balas, uma algema, quatro toucas ninja, drogas (14 papelotes de cocaína, 13 pedras de crack e 31 buchas de maconha), cartuchos de bala de outros calibres e um tatu.

“Eles foram detidos por tráfico de drogas e porte ilegal de armas. O Wendel ainda vai responder por processo judicial quanto à carne de tatu encontrada, que gera em crime inafiançável”, explica Reis.

Aí eu me pergunto: os caras tinham revólveres, espingardas, pó, crack, colete a prova de balas e a porra da carne de tatu configura crime inafiançável?!?! Pelamordedeus!!!

regen und meer

Adoro quando chove e a sujeira da rua fica presa ao asfalto, sem subir, com o vento, para a minha casa. Sinto enorme vontade de abrir a varanda e sentir a umidade entrar nariz adentro e o vento casa afora.
Adoro esse vento sul que vem com as frentes frias e refresca o Espírito Santo inteiro, sempre tão quente durante o ano…
Adoro observar as gotas de chuva no vidro da janela, de casa ou do carro. Assim como adoro tocar o vidro gelado por conta da chuva.
Adoro como chuva combina com sorvete, mesmo quando está frio. E também como combina com filme, vinho, pipoca, queijo e cobertor.
Adoro guarda-chuvas coloridos, que contrastam com o cinza do céu e o molhado da rua.
Adoro sonhar com alguém que me acompanhe nos meus estranhos hábitos de chuva.
Adoro saber que a água que cai na rua é lindamente encaminhada para o mar.
Adoro cheiro de chuva. E o cheiro do ar antes da chuva. Adoro o cheiro da chuva distante.
Acho lindo como os morros ficam de chapéu quando chove – e adoro saber que vai chover ao vê-los cobertos.
Adoro a luminosidade do dia chuvoso, a baixa luminosidade.
E adoro a vontade de fazer nada e só comer para sempre. De esperar a comida chegar até em casa. Ou a torcida para que as ruas alaguem e eu não precise ir à aula no dia seguinte.
Ok, vocês entenderam, eu adoro a chuva.

Vitória: uma cidade que tem todos os recursos para evoluir, mas faz o caminho contrário

Caso algum de vocês ainda não saiba, durante um ano da minha vida (2008-2009), eu morei numa cidade chamada Wuppertal, na Alemanha. Uma cidade próxima às cidades Köln e Düsseldorf e também a cidade natal da Bayer.

Durante esse período, tive que me adaptar a uma quantidade de leis e costumes não vigentes por aqui. Exemplos foram o hábito de obedecer aos limites de velocidade (50km/h em avenidas e 30km/h dentro dos bairros), obedecer às sinalizações de proibido/permitido estacionar – e levar multas por isso – e também o costume de separar o lixo.

Eu costumo explicar a todos que me perguntam: o lixo deveria ser armazenado em casa, a prefeitura disponibilizava tonéis para armazenar alguns tipos (tampa cinza para orgânicos, tampa amarela para embalagens e tampa azul para papéis) e alguns outros tipos deveriam ser armazenados e destinados pelo próprio cidadão. Digo, vidro e cartão deveriam ser levados aos postos dentro do seu bairro e ali descartados. Além disso, cobrava-se pelos sacos plásticos em supermercados.

Quer dizer, era nessa parte da discussão à qual eu queria chegar. Eu me habituei a ter sempre na bolsa uma sacola de pano, na qual podia carregar minhas compras pequenas de supermercado ou de padaria. Além disso, era comum o uso de caixas dobráveis para carregar compras mais pesadas – como eram dobráveis, podiam ficar guardadas no carro sem ocupar espaço. Existiam também cestas estruturadas, como as de pique-nique, e sacolas estruturadas, como as que são encontradas, hoje em dia, à venda nos supermercados daqui.

Confesso que, num primeiro momento, achei muito estranho ter de levar minha própria sacola. No entanto, ao fim de um ano, eu aprendi que separar e armazenar o lixo é a coisa mais simples do mundo e que carregar a minha própria sacola de compras não faz mal a nenhum ser humano no planeta.

O motivo de escrever esse texto é bem simples: eu me incomodo toda vez que vejo alguém reclamar que recebeu multa – que bom que a polícia está a multar, significa que está finalmente fazendo parte do seu trabalho; eu me irrito quando leio matérias desse tipo, pois não entendo o que há de abusivo em cobrar pelos sacos plásticos e muito menos porque cuidar do meio ambiente tem que ser algo ruim.

Apenas um adendo: Prefeitura Municipal de Vitória, faça-nos o favor de implantar a coleta seletiva de maneira decente em nossa cidade. Tenho certeza de que outros cidadãos e de que o meio ambiente irão nos agradecer.

miau

Voltei eu de BH para Vix e desembarquei no puxadinho do aeroporto. E eu vi uma coisa nova: um gato voltando com as malas! Tadinho, estava mega nervoso depois da viagem, não parava de miar. Mas o engraçado é que perto do gato veio uma caixa de papelão e uma funcionária da Gol se virou para a dona do gato e disse: “Nossa. Achei que fosse a caixa de papelão que estivesse miando. Já estava pensando: meu deus! colocaram um gato dentro da caixa! que maldade!”.